Reservatório que rompeu em CG era da década de 1960 e não tinha registro técnico, diz Cagepa

O reservatório da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) que rompeu no bairro da Prata, em Campina Grande, deixando uma idosa morta e duas pessoas feridas no último sábado (8), integrava um conjunto de estruturas construídas na década de 1960 e operava sem registro técnico formalizado. A informação foi confirmada pelo presidente da Companhia, Marcus Vinícius Neves, que deu detalhes sobre as condições do equipamento antes do colapso.

Segundo o presidente, a estrutura não figurava entre os reservatórios classificados como críticos pela companhia. De acordo com ele, as inspeções visuais realizadas rotineiramente não apontavam sinais de risco, como ferragens expostas, infiltrações ou desplacamento de concreto. Marcus Vinícius afirmou que o reservatório era considerado íntegro dentro dos padrões adotados na rede estadual e não apresentava vazamentos ou danos aparentes.

O dirigente explicou que a companhia mantém um processo interno chamado “recuperação de reservatórios”, que envolve o esvaziamento total da estrutura, limpeza completa e posterior avaliação técnica com base em registros de filmagens internas. Apesar disso, ele não soube precisar quando ocorreu a última vistoria detalhada no reservatório da Prata, ressaltando apenas que a unidade permanecia constantemente cheia.

Outro ponto destacado foi a ausência da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) relativa à estrutura. O documento, obrigatório e emitido por profissionais habilitados, registra a responsabilidade técnica por obras, projetos e vistorias. Marcus Vinícius justificou que as inspeções eram realizadas por engenheiros do quadro da própria Cagepa, mas sem ART específica.

A falta de registro foi analisada pelo professor e pesquisador Marcos Simplício, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Ele reforçou que a ART é um instrumento indispensável para garantir rastreabilidade, segurança e fiscalização adequada em obras de engenharia. O especialista observou que, em estruturas construídas há várias décadas, é comum que parte da documentação original não seja localizada, o que pode ter ocorrido com o reservatório da Prata.

Simplício também alertou para possíveis implicações legais tanto para profissionais que atuam sem ART quanto para empresas que operam estruturas sem o devido registro. Para ele, o documento assegura que cada intervenção tem responsável técnico identificado, algo fundamental em casos de falhas estruturais.

A tragédia segue sendo investigada, enquanto a Cagepa realiza atendimentos, indenizações e levantamentos técnicos para apurar as causas do rompimento e as condições das demais estruturas no município.

da Redação

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