Redes sociais prejudicam saúde mental de adolescentes, aponta levantamento global

Um levantamento global sobre felicidade chama atenção para o impacto severo das redes sociais na autoestima e na saúde mental de jovens. O Relatório Mundial da Felicidade deste ano, que incluiu dados de adolescentes de 47 países, estabelece uma relação direta entre o tempo de exposição às plataformas e o aumento de queixas psicológicas. Segundo o estudo, quanto mais horas são dedicadas a esse ambiente digital, menores são os índices de bem-estar registrados.

O impacto negativo é desproporcional entre as meninas. O relatório aponta que 37% das adolescentes afirmam que os conteúdos consumidos pioram a percepção que possuem do próprio corpo. Relatos mostram que a comparação constante com rotinas idealizadas de exercícios e dietas gera um sentimento de insuficiência.

No ambiente escolar, a pressão se estende ao desempenho acadêmico; jovens relatam angústia ao comparar suas horas de estudo com postagens de terceiros que alegam dedicação integral, alimentando a sensação de que nunca fazem o suficiente.

Comparação com jogos de azar e regulação
Especialistas ouvidos pela reportagem comparam o funcionamento das redes sociais ao mecanismo de jogos de azar. A estrutura das plataformas foi desenhada para prender a atenção, o que gera um impacto perigoso no desenvolvimento cerebral dos adolescentes, que ainda estão em fase de formação. Além disso, a velocidade dos algoritmos e a disseminação de conteúdos irreais — como publicações de festas feitas por pessoas que estão, na verdade, em casa — contribuem para quadros de ansiedade, angústia e tristeza.

Diante desse cenário, diversas nações implementam restrições severas:

  • Finlândia: Lidera o ranking mundial de felicidade pelo nono ano consecutivo.
  • Austrália: Desde 2025, o país estabeleceu o limite de 16 anos para o acesso a plataformas digitais.
  • Europa: Dinamarca, França e Espanha planejam regulamentações semelhantes para proteger o público jovem.

No ranking global, o Brasil ocupa a 32ª posição mundial e a 5ª colocação na América Latina. Para enfrentar o problema localmente, foi aprovado o chamado ECA Digital. A medida visa limitar o acesso de crianças e adolescentes a conteúdos considerados inadequados, proibidos ou que induzam ao vício no uso das ferramentas digitais.

com Band.com.br

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