
Investigadores da Polícia Federal avaliam pedir que Daniel Vorcaro seja inserido na chamada difusão prateada da Interpol, recurso voltado especificamente a localizar e bloquear dinheiro de origem ilícita ao redor do mundo. O objetivo é impedir que o ex-dono do Banco Master continue remetendo ativos para fora do País.
A informação foi divulgada pelo jornal O Globo nessa sexta-feira (5).
A PF pretende rastrear os valores que o empresário transferiu aos Estados Unidos, mas, para isso, precisa do aval da Procuradoria-Geral da República (PGR), da anuência do Supremo Tribunal Federal (STF) e do endosso das autoridades americanas.
A entrada de Vorcaro na difusão prateada ainda esbarra na falta de manifestação da PGR e em uma definição do STF sobre qual ministro conduzirá a medida. A relatoria pode ficar com André Mendonça, responsável pela Operação Compliance Zero, ou com Alexandre de Moraes, que comanda as investigações sobre Eduardo Bolsonaro.
Parte desse dinheiro está sob suspeita de ter ajudado a bancar o filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). De acordo com a apuração, Vorcaro teria enviado cerca de R$ 60 milhões a um fundo sediado nos EUA com essa finalidade.
O fundo é controlado por um advogado que mantém ligações com Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente radicado nos Estados Unidos. Nas remessas voltadas à produção, o intermediário teria sido o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência.
Diante desse cenário, o chefe da Polícia Federal, delegado Andrei Rodrigues, considera importante abrir um inquérito exclusivo para verificar se os recursos enviados ao exterior foram, de fato, usados para custear o longa sobre Bolsonaro.
Em outra frente, Vorcaro negocia há cerca de três meses os termos de uma delação premiada na Compliance Zero. Nesta semana, o ex-banqueiro apresentou à PF uma nova proposta. Segundo apuração da Band, investigadores que tiveram acesso ao documento afirmam que há menções a Ciro Nogueira e um capítulo inteiro dedicado ao filme de Bolsonaro.
Preso preventivamente durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, em 18 de novembro do ano passado, Vorcaro, de 42 anos, passou dez dias detido até ser libertado por força de uma decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região.
Ele voltou a ser detido em 4 de março deste ano, quando a PF deflagrou a terceira fase da operação. Em 19 de março, como parte das tratativas para o fechamento de um acordo, Vorcaro passou a ocupar uma sala especial da Superintendência da PF em Brasília.
com Band.com.br