Polícia Civil investiga denúncia de abuso sexual contra criança de dois anos em creche de João Pessoa

Uma denúncia de violência sexual contra uma menina de apenas dois anos mobiliza as forças de segurança e a comunidade escolar em João Pessoa. O caso, registrado na Polícia Civil no dia 23 de abril de 2026, ganhou repercussão nesta terça-feira (14) após a confirmação de que exames periciais constataram o crime. A mãe da criança suspeita que a violência tenha ocorrido no ambiente da creche municipal onde a filha passava o dia.

A investigação está sob a responsabilidade da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Infância e a Juventude. Segundo a delegada Adriana Guedes, responsável por conduzir o inquérito, diversas pessoas ligadas à rotina da vítima já prestaram depoimento, mas a autoria do crime ainda é desconhecida.

“A delegacia imediatamente tomou as providências, ouviu a diretora da creche, ouviu a professora da criança, ouviu as cuidadoras, ouviu as auxiliares. Eu fui pessoalmente à creche fazer uma inspeção. Então, assim, as vigilâncias continuam. Até o presente momento, a gente não tem assim nenhum indício de autoria”.

A descoberta do crime ocorreu após a mãe notar anormalidades físicas na filha. Em entrevista, ela relatou que percebeu um machucado na região íntima da menina no momento em que trocava suas fraldas. Preocupada, a mãe buscou assistência médica de urgência, o que resultou no encaminhamento do caso ao Conselho Tutelar e, posteriormente, à perícia técnica no Instituto de Polícia Científica (IPC).

“A gente foi imediatamente para o hospital para ser avaliada. E nessa avaliação, tiveram umas dúvidas, mas foi encaminhada para o conselheiro tutelar e, após os procedimentos na delegacia, a gente foi para o IPC para fazer o exame sexológico. E, no momento do exame físico mesmo, a perita confirmou; ela positivou o abuso sexual da minha filha”, relatou a mãe, sob condição de anonimato.

Exame sexológico atestou lesão na região do hímem da criança — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

O laudo emitido pelos peritos do IPC descartou a conjunção carnal, mas confirmou a ocorrência de outro ato libidinoso devido a uma lesão recente identificada na região do hímen da criança. A mãe reforça a suspeita sobre o estabelecimento educacional pelo fato de ter deixado a filha na unidade das 7h30 às 16h30 no dia do ocorrido, garantindo que a menina não teve contato com mais ninguém após retornar para casa.

O caso ganhou novos desdobramentos com o acesso a imagens do circuito interno de segurança da creche. Os registros de vídeo mostram momentos em que funcionárias aparecem tirando fotos de crianças sem roupas ou vestindo apenas fraldas descartáveis. Em uma das gravações, uma colaboradora utiliza o aparelho celular com o flash ligado para fotografar uma criança deitada de bruços em um colchão. Em outro trecho, uma funcionária se agacha para registrar a imagem de um aluno de costas, que estava sem vestimentas após o banho.

Funcionária tirando foto de criança de bruços e utilizando fralda — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Ao ser questionada sobre os registros fotográficos, a delegada Adriana Guedes explicou que a direção da unidade justificou a prática como parte de uma rotina de monitoramento físico preventivo.

Funcionária abaixada fazendo foto de criança de costas — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

“Existe uma orientação da gestora da creche de que, quando uma criança vai tomar o banho, as cuidadoras façam uma inspeção no corpo da criança, da cabeça aos pés, e, se encontrarem qualquer tipo de sugestão de que a criança está arranhada e que há alguma lesão, algum machucado, a orientação é tirar uma foto e encaminhar diretamente à direção, que vai encaminhar a mãe e agir sobre aquela situação”.

No entanto, a Secretaria de Educação e Cultura de João Pessoa refutou a existência de qualquer determinação pedagógica ou institucional nesse sentido e informou o afastamento da funcionária envolvida nos registros fotográficos.

Nota da Secretaria de Educação e Cultura de João Pessoa
“A Secretaria de Educação e Cultura de João Pessoa vem a público prestar esclarecimentos acerca das recentes denúncias envolvendo uma unidade escolar da Rede Municipal de Ensino. Diante da gravidade dos fatos, reafirma que a proteção integral de crianças e adolescentes é prioridade absoluta e inegociável.

Assim que tomou conhecimento da denúncia apresentada pela família, referente a fatos supostamente ocorridos em 23 de abril de 2026, a Secretaria adotou imediatamente todas as providências administrativas cabíveis para a rigorosa apuração do caso, além de colaborar integralmente com a investigação conduzida pela Polícia Civil, disponibilizando, inclusive, as imagens do sistema de videomonitoramento da unidade.

A escola conta com monitoramento por câmeras 24 horas por dia. Por esse motivo, foi solicitada à Guarda Civil Metropolitana, responsável pelo monitoramento, uma análise técnica das imagens preservadas. A avaliação realizada não identificou elementos que corroborassem a ocorrência dos fatos narrados nas dependências da unidade escolar.

Da mesma forma, até o presente momento, também não foram constatados indícios de irregularidade funcional por parte da pedagoga ou das auxiliares citadas que justificassem, sob os aspectos administrativo e jurídico, o afastamento preventivo das servidoras ou a instauração imediata de Processo Administrativo Disciplinar (PAD).

É importante destacar que a inexistência, neste momento, de medidas administrativas sancionatórias não representa o encerramento do caso. A Secretaria permanece à inteira disposição das autoridades competentes e informa que todas as imagens e demais informações solicitadas já foram encaminhadas à Delegacia de Polícia responsável pela investigação, que seguirá conduzindo a apuração dos fatos.

Em relação às fotografias supostamente realizadas por uma servidora, a Secretaria esclarece que tal conduta não integra nem foi orientada por qualquer protocolo institucional. Nos casos dessa natureza, a orientação da Rede Municipal é o imediato acionamento do Conselho Tutelar e dos demais órgãos competentes.

Por fim, a Secretaria de Educação e Cultura reafirma que o Município de João Pessoa segue rigorosamente o protocolo de atuação pactuado com o Ministério Público da Paraíba e a Polícia Civil para o atendimento de situações sensíveis envolvendo crianças e adolescentes, mantendo seu compromisso com a legalidade, a transparência, a proteção dos estudantes e a plena colaboração com as investigações”.

da Redação

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