Paraíba lidera crescimento de estupros de vulnerável no país com alta de 22% em 2025

A Paraíba registrou um avanço alarmante nos indicadores de violência sexual contra populações vulneráveis. Durante o ano de 2025, o estado contabilizou 1.078 casos de estupro de vulnerável, o que representa um aumento de 22,1% em relação aos dados do ano anterior. O levantamento, integrante do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, aponta que o território paraibano alcançou a maior taxa de crescimento porcentual do crime em todo o país.

O volume de notificações equivale a uma média diária de três ocorrências registradas em solo paraibano. A taxa por 100 mil habitantes subiu 21,5% no estado, caminhando em sentido oposto ao indicador nacional, que teve retração de 5,2%, e ao índice da Região Nordeste, que apresentou queda de 3,5% na comparação com 2024.

Caracterização jurídica do crime
A legislação penal brasileira define o estupro de vulnerável como a prática de qualquer ato libidinoso ou conjunção carnal contra pessoas menores de 14 anos, indivíduos com deficiência mental que comprometa o discernimento ou vítimas sem capacidade de oferecer resistência.

O anuário ressalta que as estatísticas do Distrito Federal, diferentemente dos demais estados, consideram na categoria apenas episódios envolvendo menores de 14 anos, desconsiderando outras vertentes de vulnerabilidade no cômputo local.

Perfil das vítimas e dinâmica das agressões
No cenário nacional, 85,6% das vítimas cadastradas no ano passado pertencem ao sexo feminino. Na Paraíba, o percentual é ainda mais elevado: das 1.078 ocorrências, 959 foram praticadas contra mulheres, correspondendo a 89% dos casos apurados.

Em relação ao recorte etário no país, a faixa mais atingida compreende jovens de 10 a 13 anos, que concentram 42,5% dos registros, seguidos por crianças de 5 a 9 anos, que somam 21,9%. No recorte racial unificado, que agrega estupro comum e de vulnerável, 57,1% das vítimas no Brasil são negras e 41,4% são brancas.

Os dados estatísticos reforçam a prevalência da violência doméstica e familiar. Em 59,2% das ocorrências nacionais contra menores de 14 anos, o autor do crime integra o núcleo familiar da vítima. Outros 36,9% dos casos envolvem agressores conhecidos da convivência rotineira, enquanto os episódios cometidos por desconhecidos representam apenas 3,9%.

A residência da própria vítima figura como o principal local dos abusos, respondendo por 64,9% dos registros oficiais, em contraste com a via pública, que soma 6,5% das ocorrências catalogadas pelas autoridades de segurança.

da Redação

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