
Jurista e eterna aprendiz, em jornada de autodescoberta, refinamento e amadurecimento.
Instagram: @adv.leticia.albuquerque

Saudações aos fotógrafos – profissionais ou amadores – esses artistas responsáveis por capturar o instante, o tempo, e traduzi-los em memória. Fotografar, afinal, é mais do que apertar um botão: é o ato de transformar luz em narrativa, de congelar fragmentos do mundo para que possamos revisitar o que já passou.
Desde sua invenção no século XIX, a fotografia se tornou uma das maiores revoluções visuais da humanidade, permitindo que pessoas comuns registrassem o que antes dependia apenas da memória ou da tinta dos pintores. Ela mudou a forma como contamos histórias, como lembramos e até como compreendemos a realidade.
Fotografias espontâneas são sempre as melhores, diga-se de passagem. Aquelas que revelam manifestações culturais; sorrisos de crianças; a leveza e os mistérios dos animais; o choro bom dos casais que acabaram de descobrir que serão pais; a alegria dos que venceram um câncer; e a serenidade dos velhinhos aposentados jogando baralho. Cada clique, por mais simples que pareça, ecoa uma pequena história da humanidade.
E há também os que fotografam o cotidiano dos trabalhadores braçais, que mesmo na luta e no suor de cada dia conseguem conservar a esperança em dias melhores – a galera da feira, os pescadores, garçons e garçonetes sob o sol quente e o calor da praia.
A fotografia sempre teve esse poder de revelar o invisível, de tornar memorável aquilo que passaria despercebido. Desde registros sociais do século XIX até os fotojornalistas contemporâneos, ela sempre serviu como janela para realidades que nem todos conhecem.
Tentei aprender um pouco sobre essas câmeras modernas e confesso que achei tudo muito complicado. Nada, porém, que a prática e o esforço não resolvam – como quase tudo na vida. Aprendi que, para fotografar, é preciso ajustar três coisas: o obturador, o diafragma e o ISO. Este último pode ficar no automático, e o famoso flash pode ser usado, mas nem sempre. Será que aprendi certo?
Ah, e a lente – essa sim – é a parte mais importante da câmera. Ela é removível, dando para trocar por outras… que, diga-se, são absurdamente caras.
Mas por curiosidade, o que diferencia uma boa foto de uma foto apenas “correta” não é o equipamento, e sim o olhar. O olhar que seleciona o instante, que enxerga poesia no comum, que pressente a cena antes mesmo que ela aconteça.
Além da técnica, há no ímpeto de um fotógrafo o desejo de alcançar a imagem perfeita, a paisagem perfeita, a pose perfeita. É como uma caça. E quando se consegue capturar uma imagem especial, a sensação é profundamente prazerosa. Fotografar também vicia. Talvez porque, ao clicar, a gente sente que está salvando um pedacinho do tempo da correria do mundo.
Outro dia estive olhando fotografias antigas. Com o tempo, elas ganham um valor sentimental imenso, sobretudo aquelas que mostram pessoas que já se foram ou lugares que já não existem mais. Não é à toa que a fotografia se tornou um dos maiores patrimônios emocionais da humanidade: ela guarda aquilo que a memória insiste em borrar.
Em meados dos anos 90, as fotos eram tiradas com as caríssimas máquinas fotográficas. Normalmente, contratava-se um fotógrafo para ocasiões especiais: aniversários, festas juninas… Era preciso comprar filmes, e cada um comportava cerca de trinta poses. Por isso, não se desperdiçava cliques. O resultado só era conhecido semanas depois, quando as fotos eram reveladas em um estúdio escuro, iluminado por uma luz vermelha. Uma espera que fazia parte do encanto.
Não havia filtros, nem edições. Talvez por isso as fotos de antigamente capturassem com mais verdade a essência do momento. A fotografia começou histórica assim: crua, direta, honesta – testemunha de guerras, descobertas, famílias, alegrias e tragédias. Com o passar do tempo, a tecnologia mudou, mas o valor simbólico permaneceu: quanto mais o tempo passa, mais valiosas se tornam as fotografias.
Tudo era tão diferente. Fiquei saudosa!
E se um dia deixassem de existir as câmeras, os celulares, as máquinas fotográficas digitais ou qualquer artefato capaz de registrar o instante? Ainda assim eu capturaria, com minhas próprias retinas, imagens que valem tanto quanto qualquer boa foto: os gestos de gentileza. Num mundo em que a grosseria, a falta de educação e a violência parecem dominar a cena, um ato gentil ainda causa estranheza. Talvez por isso eu faça questão de guardá-los para sempre na memória – como uma das melhores fotografias que existem.
* Os textos e vídeos dos colunistas não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Paraíba Dia a Dia.