
O tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e um dos criadores do modelo original da urna eletrônica, Antonio Esio Marcondes Salgado, reiterou a segurança do equipamento de votação brasileiro em entrevista concedida à Rádio Arapuan FM nessa sexta-feira (7). Durante a sabatina, o especialista enfatizou que o dispositivo passa por auditorias permanentes, atesta constante atualização de softwares e assegura a fiel manifestação da vontade do eleitor nas urnas.
Conforme explicou o pesquisador, o sistema informatizado completou três décadas de aperfeiçoamento contínuo sob a supervisão da Justiça Eleitoral, integrando parcerias com universidades públicas e órgãos científicos como o próprio Inpe. Um dos pilares do modelo é o Teste Público de Segurança (TPS), procedimento prévio ao pleito no qual peritos e cidadãos analisam os códigos-fonte para identificar fragilidades.
“Todo cidadão pode se inscrever, propor testes para o sistema, que é aberto e auditável. Se for encontrada alguma inconsistência, ela é corrigida e apresentada novamente antes da eleição”, declarou Antonio Esio. Ele acrescentou que na última edição dos testes promovida em Brasília, com mais de cem grupos inscritos, não foram registradas falhas na arquitetura de proteção do sistema, resultando apenas na absorção de sugestões técnicas para otimização dos trabalhos.
O especialista também fez um contraponto entre o debate técnico e os questionamentos de viés político. “Os técnicos que conhecem o sistema e apresentam críticas são bem-vindos. A Justiça Eleitoral quer que o sistema seja auditado e tenha participação da comunidade técnica”, apontou. Em sua avaliação, abordagens sem embasamento servem unicamente para induzir desinformação sobre o rito democrático.
Aprimoramento de hardware e softwares em três décadas
Ao detalhar as atualizações operacionais consolidadas ao longo de 30 anos para os equipamentos que atuarão nas eleições municipais e gerais, o tecnologista indicou avanços como a troca de processadores, expansão de memórias, substituição de baterias, aperfeiçoamento do teclado e a adoção do sistema operacional baseado em Linux.
Outro ponto destacado foi a presença do protocolo de checagem automatizada de integridade, ativado no instante em que o terminal é ligado na seção eleitoral. “When a urna é ligada, ela verifica se todos os componentes e o software são os oficiais da Justiça Eleitoral. Se alguma etapa falhar, ela simplesmente não funciona”, ressaltou o especialista. Antonio Esio pontuou, por fim, que o design e as camadas de segurança da urna atendem a especificidades do código eleitoral brasileiro, o que justifica as diferenças em relação a modelos operados em outros países.
da Redação