
A tradicional camisa amarela da Seleção Brasileira voltou a ser o centro de uma disputa ideológica entre governo e oposição às vésperas da estreia do país na Copa do Mundo. O uniforme, que nos últimos anos esteve fortemente associado a movimentos de direita, virou estratégia discursiva para o torneio mundial. O presidente Lula (PT) cobrou publicamente que os partidos de esquerda e o campo progressista voltem a usar as cores nacionais durante os jogos, afirmando que a população não deve permitir a apropriação dos símbolos da pátria por correntes políticas adversárias. Para reforçar a mensagem de soberania, o Palácio do Planalto divulgou uma imagem oficial do mandatário vestindo o uniforme canarinho.
A reação da oposição foi imediata durante agendas políticas no Norte do país. O senador Flávio Bolsonaro (PL-SP), pré-candidato à Presidência, rebateu a movimentação do Governo e convocou seus apoiadores a assistirem aos jogos utilizando o traje, que ele classificou como um símbolo consolidado de seu grupo político. O parlamentar acusou a esquerda de ter desprezado a bandeira nacional no passado e afirmou que os conservadores foram os responsáveis por resgatar o orgulho cívico. Flávio Bolsonaro ainda criticou os índices de segurança pública, alegando que o medo da violência urbana vai afastar os torcedores das ruas durante a competição.
Esse acirramento de narrativas ocorre paralelamente aos últimos preparativos da delegação brasileira nos Estados Unidos. A equipe comandada pelo técnico Carlo Ancelotti faz sua primeira partida no Mundial contra a seleção do Marrocos neste sábado (13), no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Enquanto a comissão técnica ajusta os detalhes para o confronto válido pelo Grupo C, o clima de torcida no Brasil segue fragmentado pelo debate político em torno do manto da Seleção.
da Redação