Crimes em aplicativos de relacionamento acendem alerta após morte em hotel da Capital; delegado orienta cuidados

A consolidação das plataformas digitais como canal de aproximação interpessoal tem exigido cautela redobrada dos usuários diante dos riscos à segurança financeira e à integridade física. O debate sobre a vulnerabilidade nesses ambientes ganhou força após a morte de Washington Rodrigo, registrado no último dia 24 de julho, em João Pessoa. O homem foi encontrado sem vida em um quarto de hotel no bairro de Manaíra, após agendar um encontro presencial com um adolescente por meio de um site de relacionamentos.

O titular da Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos (DECC) da Polícia Civil da Paraíba, delegado João Ricardo, traçou um panorama sobre os modelos de abordagens criminosas executados no ambiente virtual.

“Existem dois tipos de encontros marcados pela internet. Tem o encontro que é mais comercial, para marcar uma compra e venda, e que é mais ligado aos crimes financeiros. Como também tem esses encontros amorosos, que aí também podem ser ligados a crime financeiro, como também vai para esse lado de encontros íntimos, que corre o risco de haver crime contra a integridade física ou até homicídio”, pontuou a autoridade policial.

Conforme o delegado, os investigados costumam estruturar uma relação de confiança gradual mediante o uso de identidades simuladas e conteúdos multimídia adulterados.

“Para conquistar a confiança, o normal são perfis falsos, principalmente em encontros íntimos, com fotos falsas, vídeos falsos, fazendo com que a pessoa mande fotos verdadeiras, ganhe intimidade com as conversas”, detalhou João Ricardo.

Recomendações e protocolos de segurança
Para mitigar os riscos inerentes aos encontros marcados via aplicativos, a Polícia Civil orienta a adoção de checagens prévias antes de qualquer compromisso presencial. A recomendação do órgão é desconfiar de abordagens aceleradas, cruzar dados e fotos em outras redes sociais, identificar vínculos do perfil com familiares ou ambientes de trabalho e exigir chamadas de vídeo em tempo real para atestar a autenticidade da pessoa.

Além disso, a orientação é que o primeiro encontro presencial ocorra exclusivamente em locais públicos e de grande circulação de pessoas, com monitoramento de segurança.

“Você já tomaria cuidado ao conhecer alguém pessoalmente. Você não sairia de primeira com essa pessoa, não é de imediato. Você tentaria saber quem é a pessoa, tentaria buscar informações sobre a pessoa. E isso, em ambiente digital, tem que ser, na verdade, reforçado”, concluiu o delegado.

da Redação

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