Coordenador nega espionagem em radiotelescópio instalado no Sertão da Paraíba

O coordenador do projeto do radiotelescópio BINGO, instalado na Serra do Urubu, no município de Aguiar, no Sertão da Paraíba, afirmou que a estrutura tem finalidade exclusivamente científica e não possui qualquer relação com atividades militares ou de espionagem. A declaração foi feita após o equipamento ser citado em um relatório de um comitê do Congresso dos Estados Unidos que analisa a presença chinesa na América Latina.

Leia mais: Relatório dos EUA cita radiotelescópio na Paraíba como possível base chinesa

O físico Élcio Abdalla explicou que o laboratório integra um projeto internacional de radioastronomia voltado à investigação da matéria e da energia escuras do universo. A pesquisa utiliza sinais em radiofrequência para detectar as chamadas oscilações acústicas bariônicas, fenômeno importante para compreender a expansão do universo.

Segundo o pesquisador, a participação chinesa no projeto BINGO (Baryon Acoustic Oscillations in Neutral Gas Observations) ocorre apenas no campo acadêmico. Três cientistas ligados a universidades da China integram a coordenação da iniciativa, que também reúne instituições brasileiras como a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o CESTNCRI e o Governo da Paraíba.

Abdalla destacou que os pesquisadores chineses colaboram com tecnologia e conhecimento científico, sem qualquer finalidade estratégica militar. De acordo com ele, a condução do projeto ocorre majoritariamente no Brasil e sob liderança de instituições brasileiras.

Parte dos equipamentos do radiotelescópio foi fabricada na China e enviada ao Brasil, incluindo os espelhos primário e secundário e as torres das cornetas, peças fundamentais para o funcionamento do sistema de observação. As estruturas foram transportadas em contêineres e passaram por testes antes do embarque.

O cientista também explicou que uma das tecnologias utilizadas no radiotelescópio, conhecida como phased array, consiste em um conjunto de antenas capaz de captar sinais em grande escala. Apesar de poder ter aplicações em mapeamento ambiental ou monitoramento territorial, ele reforçou que, no caso do projeto BINGO, o uso é voltado exclusivamente à pesquisa científica.

Inicialmente previsto para começar a operar em 2021, o radiotelescópio teve o cronograma alterado em razão da pandemia. A expectativa atual é iniciar as primeiras operações em 2026, com funcionamento pleno previsto para 2027.

O projeto BINGO reúne pesquisadores de diferentes países e conta com investimento estimado em cerca de R$ 20 milhões do Governo da Paraíba. O equipamento está sendo instalado na zona rural de Aguiar e deverá integrar uma rede internacional de estudos sobre a estrutura do universo.

da Redação

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