
O piloto cearense Alex Frota, conhecido como Alex Bacana, passou por João Pessoa durante a etapa final de uma viagem ao redor do mundo realizada sozinho em um avião monomotor experimental. Ele chegou à capital paraibana na terça-feira (9) e permaneceu na cidade até sexta-feira (11).
A expedição começou em 15 de março, em Fortaleza, e percorreu os cinco continentes. Alex afirma ser o primeiro brasileiro a completar a volta ao mundo sozinho em uma aeronave desse tipo. A previsão era chegar à cidade de origem em 12 de setembro, antes de completar seis meses de viagem.
Segundo o piloto, João Pessoa foi incluída entre as últimas paradas porque ainda não havia sido visitada durante o trajeto. No retorno ao Brasil, a rota também passou pelo Caribe e por localidades das regiões Norte e Nordeste.
Mudanças no trajeto
O percurso começou com uma parada em Boa Vista, passou por ilhas do Caribe e seguiu pelos Estados Unidos, Canadá, Groenlândia, Islândia, Reino Unido, Europa continental, África, Oriente Médio, Ásia e Oceania.
Na sequência, Alex voou por Timor-Leste, Filipinas, Taiwan e Coreia do Sul, contornou a Coreia do Norte e passou pela Rússia, pelo Alasca e novamente pelo Canadá e pelos Estados Unidos, onde esteve em Oshkosh.
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A intenção inicial era cruzar a América Central e descer pela costa do Pacífico sul-americano até entrar no Brasil por Porto Alegre. O planejamento mudou porque o piloto não conseguiu obter autorizações de voo no México, devido à classificação experimental da aeronave.
Clima e problemas técnicos
Durante a viagem, Alex enfrentou condições extremas. Na Groenlândia, registrou temperaturas de até 22 graus Celsius negativos e relatou que o avião chegou a congelar. No Oriente Médio, a aeronave foi exposta a temperaturas superiores a 50 graus.
“Passamos de temperaturas abaixo de 20 graus negativos para mais de 50 graus na pista. Na Groenlândia, o avião chegou a congelar e tivemos de usar outro óleo. No Oriente Médio, algumas peças chegaram a sofrer com o calor extremo”, relatou.
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A passagem pela Ásia ocorreu durante o período de monções, marcado por ventos sazonais e tufões. Na Sibéria, a dificuldade foi encontrar aeroportos e cidades em meio a grandes áreas pouco habitadas.
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O avião também apresentou problemas mecânicos. Em Melilla, território espanhol no norte da África, Alex precisou pousar após identificar um vazamento de combustível. O tanque tinha furos e passou por reparos antes da continuação do voo pela Europa.
Entre Dubai e a Índia, uma falha elétrica levou cerca de duas semanas para ser resolvida. Em áreas afetadas por conflitos, o piloto enfrentou ainda dificuldades com autorizações e com a ausência de sinal confiável de GPS, recorrendo a mapas e cronômetros para realizar parte da navegação.
Alex também esperou mais de uma semana por uma escala antes de seguir para a Rússia. A inclusão da Coreia do Sul no percurso ocorreu depois de negociações.
“O desafio burocrático era o que mais me preocupava porque não dependia só de mim. O clima você acompanha, o avião você prepara, mas uma autorização pode simplesmente não sair”, afirmou.
Após concluir a expedição com a chegada a Fortaleza, o piloto planeja fazer um novo percurso, desta vez pelo Brasil. A viagem deve durar entre 20 e 30 dias e incluir paradas para palestras.
da Redação
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