AtlasIntel nega “qualquer viés político” em aplicação de pesquisa suspensa pelo TSE

A AtlasIntel se pronunciou, na tarde desta segunda-feira (8), sobre a suspensão de uma pesquisa do instituto e negou ter exposto os entrevistados aos áudios vazados de conversas entre o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Leia mais: Kassio Nunes Marques determina suspensão de pesquisa que apontou queda de Flávio Bolsonaro

Em resposta à decisão liminar do ministro Kassio Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o instituto afirmou que não houve indução e que a ferramenta de reação a vídeos, pivô da contestação judicial, foi aplicada apenas em uma etapa posterior, independente e voluntária.

“O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, esclarece que não reconhece qualquer viés político na elaboração ou aplicação deste estudo, assim como de qualquer outra pesquisa conduzida pela empresa”, disse a AtlasIntel.

Em maio, o levantamento do instituto apontou queda de seis pontos percentuais nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro. Após a divulgação, o PL pediu a suspensão da pesquisa sob o argumento de que o questionário foi construído para induzir respostas que prejudicaram o pré-candidato, “extrapolando o papel de verificação da opinião pública”.

Em análise preliminar, o ministro considerou que há elementos que indicam indução para a contaminação das respostas, entre eles a divulgação de áudio de investigação. Ele então suspendeu a divulgação, o impulsionamento, a republicação ou a manutenção da pesquisa nos canais oficiais do instituto.

“Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada, inclusive no cotejo com os questionários de outras pesquisas registradas no TSE pela mesma empresa”, afirmou Kassio Nunes Marque.s

A Defesa da Metodologia
O ponto central da controvérsia, levantado pelo PL, é a suposta indução de respostas através da utilização de um áudio envolvendo o pré-candidato Flávio Bolsonaro. Em sua defesa, a AtlasIntel esclarece que o questionário principal foi concluído e submetido antes de qualquer contacto dos participantes com o conteúdo audiovisual.

Segundo o instituto, após o encerramento definitivo das perguntas sobre intenção de voto –sem possibilidade de retorno ou alteração– os respondentes eram voluntariamente redirecionados para uma página separada. Nesta interface, utilizavam a ferramenta Atlas VRC (Video Reaction Curve) para registar reações ao áudio, um processo com finalidade estritamente analítica e demográfica, distinta da sondagem eleitoral propriamente dita.

Andrei Roman, CEO da AtlasIntel, sublinhou que a empresa pauta o seu trabalho pela imparcialidade e precisão, tendo sido “o instituto mais preciso em mais de uma centena de eleições globais nos últimos sete anos”.

A nota destaca ainda que outros institutos de pesquisa identificaram padrões de impacto semelhantes nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro no mesmo período, o que reforçaria que os dados captados refletiam uma dinâmica real da opinião pública e não uma contaminação metodológica.

“A empresa permanece plenamente disposta a colaborar com as autoridades eleitorais para contribuir com o desenvolvimento de parâmetros e interpretações que acompanhem a evolução das metodologias de pesquisa, sempre em benefício da transparência, da qualidade da informação e do aperfeiçoamento do debate público”, complementou a AtlasIntel.

A decisão do ministro Nunes Marques é temporária e ainda será apreciada pelo colegiado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Band.com.br

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