
A jornada do Brasil na Copa do Mundo de 2026 começou com uma atuação preocupante e repleta de questionamentos técnicos. Em duelo realizado na noite deste sábado (13), no MetLife Stadium, nos Estados Unidos, o Brasil sofreu diante da organização tática do Marrocos e não passou de um empate por 1×1. O resultado expôs a falta de identidade de um trabalho que, mesmo sob o comando do badalado Carlo Ancelotti, ainda não engrenou e se mostrou totalmente dependente de lampejos individuais.
O início da partida beirou o desastroso para a Seleção Brasileira. O treinador italiano errou escalar o zagueiro Ibañez improvisado na lateral direita, manter o paraibano Douglas Santos na esquerda e apostar no garoto Igor Thiago como centroavante titular. O esquema ruiu em menos de dez minutos. Encurralado pela forte marcação e a troca de passes veloz de Bouaddi e El Aynaoui, o Brasil assistiu ao domínio marroquino. Na ponta esquerda africana, El Khannouss deitou e rolou nas costas de Ibañez, criando duas chances claras de gol.
O ataque brasileiro produzia pouco, com Igor Thiago isolado e desperdiçando de cabeça a única jogada que recebeu na pequena área, aos 14 minutos. O castigo pela apatia veio aos 21 minutos: Lucas Paquetá vacilou ao tentar dominar um passe forte de Ibañez e entregou o contra-ataque. Brahim Díaz serviu Saibari, que apareceu livre nas costas dos zagueiros Marquinhos e Gabriel Magalhães para encobrir o goleiro Alisson e abrir o placar de forma merecida.
O prejuízo só não foi maior graças à pausa para hidratação no minuto seguinte, quando Ancelotti desfez parte da sua estratégia e reorganizou o posicionamento de Raphinha e Paquetá. A melhora, contudo, passou longe de ser coletiva. Aos 32 minutos, Vinicius Junior precisou resolver na base do talento individual: chamou a responsabilidade na ponta esquerda, tabelou com Bruno Guimarães, limpou a marcação de El Aynaoui e bateu no canto do goleiro Bounou para arrancar o empate.
Na etapa final, o jogo caiu drasticamente de ritmo. Satisfeito com o empate e demonstrando desgaste físico, o time treinado por Mohamed Ouahbi recuou e abusou da cera com o goleiro Bounou. Por outro lado, Ancelotti promoveu um festival de alterações, sacando os amarelados Ibañez e Casemiro para as entradas de Danilo e Fabinho, e posteriormente testando Luiz Henrique e Matheus Cunha nas vagas de Paquetá e Igor Thiago.
As mexidas deram mais mobilidade e o Brasil criou sua melhor chance de virada aos 33 minutos, quando Vinicius Junior arrancou em velocidade e serviu Raphinha livre na área. No entanto, o camisa 11 pegou muito mal na bola e isolou. A incapacidade de furar o bloqueio de um adversário cansado carimbou o tropeço na estreia do Mundial.
Diante do alerta proporcional à desorganização vista em campo, a Seleção Brasileira tem a obrigação de apresentar um futebol minimamente convincente e buscar a vitória contra adversários teoricamente bem mais frágeis. O próximo compromisso está marcado para a próxima sexta-feira (19), contra o Haiti, na Filadélfia. Na sequência, a equipe fecha a fase de grupos contra a Escócia, na quarta-feira (24), em Miami Gardens.
da Redação