Polícia Civil não identifica falhas no recinto da leoa que atacou jovem na Bica, em João Pessoa

A Polícia Civil informou que não encontrou falhas de segurança no recinto da leoa Leona, no Parque Zoobotânico Arruda Câmara, em João Pessoa, onde o jovem Gerson de Melo Machado, 19 anos, morreu no domingo (30) após invadir a área do animal. A avaliação preliminar foi feita pela delegada Josenise Andrade, responsável pelos primeiros levantamentos do inquérito.
Segundo Josenise, o episódio é considerado um caso “atípico”, já que as informações iniciais recebidas apontam que o espaço do felino atende aos critérios técnicos estabelecidos. Ela solicitou perícia no local e no corpo da vítima, além das imagens das câmeras de segurança, mas ressaltou que o inquérito deve ser redistribuído, pois sua delegacia atua apenas em casos de homicídio. A investigação deve seguir para a Superintendência da Polícia Civil, que definirá a unidade responsável — possivelmente a 2ª Delegacia Distrital, no Centro da Capital.
Enquanto a polícia analisa a dinâmica do fato, o Ministério Público da Paraíba conduz duas frentes de investigação. A primeira trata de possíveis irregularidades apontadas pela Sudema em relatório técnico sobre a estrutura do parque, incluindo:
- rede de esgoto com tubulações antigas e infiltrações;
- perda de pressão hídrica;
- resíduos sólidos em canal interno;
- armazenamento inadequado de resíduos;
- manejo incorreto de resíduos infectantes;
- depósitos irregulares de lixo;
- ausência de controle eficaz da entrada de resíduos da comunidade vizinha.
No levantamento sobre a fauna, o relatório indica outras possíveis falhas, como:
- ausência de microchipagem obrigatória para determinadas espécies;
- marcação individual inadequada;
- registros inconsistentes no Sisfauna;
- falta de atualização sobre nascimentos, óbitos e outras ocorrências desde fevereiro.
O segundo procedimento do MP busca detalhar os padrões de segurança adotados no manejo da leoa e verificar se foram realizados exames médicos no animal antes e depois do ataque, solicitando relatórios que comprovem o acompanhamento veterinário.
O caso
Gerson de Melo Machado morreu após escalar a estrutura lateral do recinto, usar uma árvore como apoio e entrar na área onde Leona estava. Vídeos gravados por visitantes mostram o momento em que o jovem é atacado. A vítima tinha transtornos mentais e sonhava em domar leões, segundo familiares.
O episódio gerou grande repercussão nacional e internacional e segue sob investigação.
da Redação



