Policial

MPPB acompanha caso de mais de 100 pessoas que deixaram casa de acolhida em Santa Rita

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) acompanha a situação de mais de 100 pessoas que saíram de uma casa de acolhida em Santa Rita, na Grande João Pessoa, na quinta-feira (22). Parte do grupo passou a noite em um posto de combustíveis localizado às margens da BR-230.

Segundo o órgão, as pessoas foram encaminhadas para seus municípios de origem, na Paraíba, em Pernambuco e em Sergipe. Das cerca de 170 acolhidas inicialmente, 24 permanecem no imóvel sob responsabilidade da Prefeitura de Santa Rita, enquanto familiares ou responsáveis são localizados.

O promotor de Justiça Francisco Lianza se reuniu nesta sexta-feira (23) com representantes da Secretaria de Assistência Social e do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) do município. O MPPB informou que aguarda um relatório da secretaria para definir quais medidas serão adotadas na apuração.

Uma das familiares que foi até a Paraíba para buscar o filho afirmou que percorreu cerca de 10 horas de viagem a partir de Itabaiana, em Sergipe. A mulher, que trabalha como lavradora, disse que não havia sido comunicada pelos responsáveis pela instituição e encontrou o filho descalço, com fome e sede.

Ela relatou que enviava R$ 1.500 por mês para ajudar na permanência dele no local, além de encaminhar roupas, chinelos e outros itens pessoais.

“Mas ele está aqui numa situação precária descalço, sofrendo com fome e com sede”, afirmou.

De acordo com a mãe, o aviso sobre a necessidade de buscar o filho partiu da mãe de outra pessoa acolhida. Ela disse que a instituição não entrou em contato com os familiares para informar que o grupo havia deixado o espaço.

“A instituição não entrou em contato com a nossa família. Nem comigo nem com ninguém para avisar que eles tinham fugido. Eu não sei o que aconteceu”, relatou.

A família costumava participar de chamadas de vídeo com os acolhidos a cada 15 dias. Nesta semana, depois de estranhar a falta de contato, a mulher procurou os responsáveis pela casa e foi informada de que a conversa seria adiada para a semana seguinte por causa de um suposto retiro espiritual e de problemas na internet.

“Ele falou que eles iam adiar a chamada vídeo para semana que vem porque os acolhidos iriam entrar em um retiro espiritual e a internet estava ruim”, disse.

Condições do local

O tenente-coronel Alcântara, do 7º Batalhão da Polícia Militar (7º BPM), informou que os levantamentos iniciais indicaram que as pessoas deixaram a casa por causa das condições oferecidas no local. Os detalhes sobre essas condições não foram informados.

Ainda segundo o oficial, depois que a Polícia Militar conversou com o responsável pelo espaço, parte do grupo decidiu retornar, enquanto outras pessoas pediram que os parentes fossem buscá-las.

A saída ocorreu após uma agressão física registrada na casa. O episódio teria começado com uma discussão envolvendo uma pessoa que foi ao local buscar um familiar. A vítima registrou um boletim de ocorrência.

Dorgivan de Castro, proprietário da granja onde funcionava a casa de acolhida, contou à emissora que soube do caso por meio da pessoa que fez o registro policial. Quando chegou ao imóvel, a liderança responsável pelo grupo e parte dos acolhidos já haviam deixado o local.

“Eu tomei conhecimento através da pessoa que fez o BO. Quando eu vim para cá, para o local, o pessoal já tinha se evadido, a liderança que estava aqui tomando conta do pessoal e muita gente se evadiu também. A gente foi trazendo de volta aqueles que quiseram voltar, acolhemos os que ficaram para dar assistência e reconduzi-los aos seus familiares”, afirmou.

O proprietário disse que havia sido procurado por um homem identificado como Gláucio Amaral, que pretendia alugar a granja para instalar uma filial de uma casa de recuperação que funcionava em Goiana, em Pernambuco.

Dorgivan afirmou que não pretende manter o imóvel alugado. A intenção, segundo ele, é localizar os familiares das pessoas acolhidas para que elas possam retornar para casa.

Na manhã desta sexta-feira (23), cerca de 10 pessoas ainda estavam no posto de combustíveis às margens da BR-230.

da Redação

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