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Morre Oswaldinho do Acordeon, mestre da sanfona, aos 72 anos; artistas lamentam: “talento puro”

O sanfoneiro, cantor e compositor Oswaldinho do Acordeon morreu nesse domingo (25), aos 72 anos. Considerado um dos grandes instrumentistas da música brasileira, o artista se notabilizou por uma carreira de seis décadas marcada pelo virtuosismo e pela capacidade de levar a sanfona para além das fronteiras do forró, incorporando influências do jazz, do rock, do blues e até da música erudita. A causa da morte não foi divulgada.

A notícia foi anunciada nas redes sociais pelo sanfoneiro Rodolfo Forte, amigo do músico, e pelo radialista Orlando Camboim. Posteriormente, um comunicado publicado no perfil oficial de Oswaldinho confirmou o falecimento e destacou a importância de sua trajetória para a música brasileira.

A morte provocou uma série de manifestações de pesar entre artistas. “Mestre maravilhoso, talento puro, obrigado por tanta inspiração”, escreveu Zeca Baleiro por meio do Instagram. Chico César também se despediu do sanfoneiro: “Adeus, mestre Oswaldinho do Acordeon. Você e sua música seguem em nossos corações”, escreveu, na mesma rede social.

O guitarrista Nelson Faria destacou a dimensão da perda para a música nacional. “Hoje se foi um dos maiores sanfoneiros que esse país já conheceu. Vai fazer falta”, lamentou. A cantora Elba Ramalho publicou uma homenagem emocionada: “Hoje a saudade fala mais alto, mas sua sanfona continuará tocando dentro de nós. Que Deus conforte o coração de todos que o amavam. Siga a luz”.

Outros músicos recorreram às redes sociais para prestar homenagens. “Vai em paz, Mestre!”, escreveu o sambista Pedro Miranda. Tato, vocalista do grupo Falamansa, resumiu sua admiração pelo instrumentista em uma única palavra: “Mestre!”.

Uma vida dedicada à sanfona

Nascido em 5 de junho de 1954, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Oswaldo de Almeida e Silva cresceu cercado por alguns dos nomes mais importantes da música nordestina. Filho do sanfoneiro baiano Pedro Sertanejo (1927-1997), teve contato com o acordeão ainda na primeira infância e encontrou no ambiente familiar o estímulo para desenvolver uma técnica que, anos depois, se tornaria sua marca registrada.

A casa da família era frequentada por músicos como Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Sivuca. Foi nesse convívio, entre encontros musicais e o incentivo do pai, que Oswaldinho começou a aprender a tocar de maneira autodidata. Mais tarde, já radicado em São Paulo, aprofundou os estudos do instrumento e também se dedicou à música clássica.

A estreia no mercado fonográfico aconteceu precocemente, em 1963, quando tinha apenas nove anos e participou de uma gravação do pai. Aos 12, lançou seu primeiro compacto. Na década seguinte, iniciou uma trajetória de discos próprios, com trabalhos como “Fantástico Oswaldo Silva” (1973), “Só quero um xodó” (1974) e “Oswaldinho” (1975).

Vieram depois álbuns como “Forró pop” (1977), “Lágrimas de namorados” (1978) e “Natureza” (1979). Em 1981, lançou “Forró in concert”, trabalho que ajudou a projetar sua música internacionalmente e abriu caminho para apresentações em festivais europeus.

A versatilidade também o levou a palcos pouco associados à tradição do forró. Oswaldinho participou da primeira edição do Rock in Rio, em 1985, e voltou ao festival em 1991. Ao longo da carreira, marcou presença ainda em eventos como o Free Jazz Festival, no Brasil, e os festivais de jazz de Montreux, na Suíça, e de Montreal, no Canadá. Na França, chegou a abrir uma apresentação do cantor americano Al Jarreau.

A experimentação musical se tornaria, então, uma das características mais reconhecidas de sua obra. Oswaldinho explorava recursos pouco convencionais da sanfona e aproximava a tradição nordestina de linguagens musicais aparentemente distantes. O blues, o jazz e o rock encontravam espaço em arranjos que preservavam a identidade do instrumento, ao mesmo tempo que ampliavam suas possibilidades sonoras.

Em 2004, reuniu-se a Dominguinhos e Sivuca no álbum “Cada um belisca um pouco”, lançado pela gravadora Biscoito Fino. O encontro fonográfico colocou lado a lado três instrumentistas de diferentes trajetórias, unidos pela dedicação à sanfona.

Ao longo da carreira, Oswaldinho também colaborou com nomes como Rita Lee, Tom Zé, Milton Nascimento e Elba Ramalho, além de se apresentar em palcos brasileiros e internacionais.

com O Globo

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