Policial

Médico acusado de estupros de crianças tinha momentos de lazer com piscina e cerveja enquanto estava foragido

Durante os quatro meses em que esteve foragido da Justiça, o pediatra Fernando Cunha Lima, preso nessa sexta-feira (7) no município de Paulista, em Pernambuco, desfrutou de momentos de lazer. A Polícia Civil da Paraíba divulgou imagens do médico acusado de estuprar seis crianças aproveitando um banho de piscina em um hotel e tomando sorvete. Em outro momento, o médico aparece bebendo cerveja em um restaurante.

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As imagens são dos primeiros meses de Cunha Lima como foragido. De acordo com o delegado-geral André Rabelo, Fernando vivia momentos de lazer no estado vizinho, mas, à medida que o cerco da Polícia Civil da Paraíba se intensificou, passou a adotar uma postura mais reclusa. Ele ficou foragido por quatro meses e, após a prisão, foi levado para a Central de Polícia, em João Pessoa.

Segundo o delegado, as imagens de Fernando Cunha Lima vão ser incluídas na investigação contra o médico.

Fernando Cunha Lima foi fotografo na piscina de um resort, em Pernambuco — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Nessa sexta-feira, o pediatra foi localizado dentro de um imóvel alugado, na praia do Janga, no município de Paulista, na Região Metropolitana do Recife. O médico não ofereceu resistência e usou uma bengala para andar. Ele estava acompanhado da esposa, mas também contava com uma rede de apoio para continuar foragido.

Fernando Cunha Lima estava foragido desde novembro de 2024 — Foto: Divulgação/Polícia Civil

De acordo com a defesa do médico, ele pediu para ser preso e cumprir prisão em Recife por temer sua integridade física e por ser o local onde mora a família dele. No entanto, a Polícia Civil afirma que o médico pediu para ser trazido para a Capital Paraibana, com a mesma justificativa, e defende que não houve ilegalidade durante a prisão.

O médico foi apresentado à Polícia Civil da Paraíba, em João Pessoa, fez exame de corpo de delito e voltou para Pernambuco, no fim da noite dessa sexta, onde passa por audiência de custódia neste sábado (8). A Polícia Civil da Paraíba espera que ele seja transferido de volta ao estado para cumprir a prisão preventiva.

A prisão do pediatra
Durante coletiva de imprensa, a Polícia Civil afirmou que o médico estava morando em um bairro de classe média baixa. A equipe identificou o imóvel onde ele vivia, foi até o local e a esposa do médico abriu a porta para os policiais. Nesse momento, eles já conseguiram visualizar o pediatra no sofá da residência e deram voz de prisão.

Em um primeiro momento, no mês de novembro, o médico estava morando na casa da filha, no bairro Casa Forte, em Recife. Ele fugiu uma semana antes de a Polícia Civil ir até o local e realizar uma busca na residência.

“Ele se deslocou para a cidade de Paulista, pulou para diversos endereços, e hoje nos revelou que estava neste endereço já fazia alguns meses. Disse que não estava tendo contato com os familiares, apenas por telefone”, afirmou o delegado da Draco, Rafael Bianchi.

De acordo com a Polícia Civil, os investigadores sempre identificaram o rastro do médico na Região Metropolitana do Recife. O pediatra sempre ficava em residências e não se expunha na rua. A esposa também não foi mais vista, mas ainda se arriscava e ia até comércios. Por isso, identificaram onde o acusado estava.

Ainda segundo o delegado Rafael Bianchi, o pediatra recebia apoio de pessoas de fora da família, que davam suporte logístico, como alimentação, compra de remédios, aparelho celular e chip de celular.

“Colocar a polícia para andar, para passar o CPF para A e para B, para efetivar compras em alguns lugares, para dar a ideia de que não está naquela localidade. Olha só a gravidade! Além do cometimento, há uma instrução de como burlar, há um poderio econômico e uma estrutura para burlar o aparato de justiça do nosso estado”, comentou o delegado André Rabelo.

Pediatra diz que não vai ficar preso
O médico Fernando Cunha Lima afirmou que tinha certeza de que não continuaria preso. Quando chegou à Central de Polícia, em João Pessoa, concedeu entrevista à imprensa.

“Agora, com a minha doença, eu não vou ficar preso”, afirmou. O médico é questionado por um repórter se tinha certeza do que afirmava, e ele responde: “Tenho certeza. Eu vou ficar só dois dias e saio”.

Durante coletiva de imprensa, o delegado-geral André Rabelo afirmou que o médico debocha da situação.

“O que chama atenção é um alvo com idade já avançada, instruído, e essa forma de debochar do Estado, de debochar da Justiça”, afirmou o delegado-geral.

“Ao invés de tentar responder, resolver o problema, não! Vamos esconder e dar uma resposta como essa: ‘Não passo dois dias preso’. Isso é muito grave! Porque, por trás disso, tem quantas pessoas? Quantas crianças? Seis a gente conseguiu elencar, mas quantas ao longo dessas décadas? Filhos meus, filhos dos senhores aqui, de todos nós aqui. Isso é muito grave. Quer nitidamente burlar a legislação, nitidamente quer transgredir mais uma vez. Transgredir diante da transgressão”, afirmou o delegado André Rabelo.

Na entrada da Central de Polícia, o médico também afirmou que era inocente e disse que estava foragido porque não queria ser preso. Ele afirma que estava em Pernambuco porque a filha morava lá e que não se entregou antes porque os advogados não o orientaram a fazer isso.

Ele também negou que abusou das vítimas. Ele é acusado de abusar de seis crianças dentro do próprio consultório. Duas sobrinhas do médico também afirmaram que sofreram abusos durante a infância.

Fernando Cunha Lima é preso e levado para a Central de Polícia, em João Pessoa — Foto: Reprodução/Jornal da Paraíba

O que diz a defesa do médico?
A defesa do médico afirmou, em nota, que entrou com um habeas corpus contra o fato de a Polícia Civil tê-lo trazido para João Pessoa. A Justiça entendeu, em decisão divulgada na noite dessa sexta-feira, que a audiência de custódia deve acontecer de fato em Pernambuco, local da prisão.

Ainda segundo a defesa, desde 21 de fevereiro, o médico pediu para ser preso e cumprir sua prisão no Recife por temer por sua integridade física e por ser o local onde mora sua família.

No entanto, o delegado Rafael Bianchi afirmou que trouxeram o pediatra para João Pessoa após um pedido do próprio. Ele afirmou à Polícia Civil que preferia ficar perto da família, já que a maior parte dela está em João Pessoa e apenas uma filha está em Recife.

Ainda segundo o delegado, existe jurisprudência pacificada, por economia processual e pela resolução do TJ da Paraíba, de que o juiz plantonista do estado que decretou a prisão pode fazer a apresentação nesse estado, e assim o fizemos. Por isso, defendeu que não houve nenhum tipo de ilegalidade.

As acusações contra o médico
A primeira denúncia formal de estupro de vulnerável contra o pediatra Fernando Cunha Lima aconteceu no dia 25 de julho.

A mãe da criança, que estava no consultório, disse em depoimento que viu o momento em que ele teria tocado as partes íntimas da criança. Ela informou que na ocasião imediatamente retirou os dois filhos do local e foi prestar queixa na Delegacia de Polícia Civil.

Após a primeira denúncia, uma série de vítimas começaram a procurar a Polícia Civil, inclusive uma sobrinha do médico em 1991.

O médico pediatra acusado de estuprar crianças, em João Pessoa, atendia a maioria das vítimas desde bebês e tinha a confiança das famílias. Fernando Paredes Cunha Lima é um pediatra famoso na capital paraibana e tinha uma clínica particular no bairro de Tambauzinho.

O Ministério Público pediu a condenação do acusado por quatro crimes cometidos contra três crianças, uma vez que uma das vítimas foi abusada duas vezes. Porém, o número de vítimas foi recalculado.

O médico responde judicialmente por estupro contra seis crianças. Em um primeiro processo, são quatro vítimas, e em um segundo, há mais duas.

Com a repercussão do caso, as sobrinhas do médico também procuraram a polícia para denunciar que tinham sido abusadas por ele na infância. O pediatra tem 81 anos e cuidou de várias gerações de crianças em João Pessoa.

Desde o início das investigações, a Polícia e o Ministério Público estadual pediram a prisão dele em cinco ocasiões, todas negadas. Mas, em novembro de 2024, os desembargadores da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba decidiram acolher o recurso do MP de forma unânime determinando a prisão dele pela primeira vez.

“A necessidade de impedir possível reiteração delitiva justifica nesse momento e sob minha ótica, a decretação da prisão preventiva, com respeito às demais entendimentos, para garantia da ordem pública”, afirmou o desembargador Ricardo Vital.

com G1 PB

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Médico acusado de estupros de crianças tinha momentos de lazer com piscina e cerveja enquanto estava foragido

Durante os quatro meses em que esteve foragido da Justiça, o pediatra Fernando Cunha Lima, preso nessa sexta-feira (7) no município de Paulista, em Pernambuco, desfrutou de momentos de lazer. A Polícia Civil da Paraíba divulgou imagens do médico acusado de estuprar seis crianças aproveitando um banho de piscina em um hotel e tomando sorvete. Em outro momento, o médico aparece bebendo cerveja em um restaurante.

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As imagens são dos primeiros meses de Cunha Lima como foragido. De acordo com o delegado-geral André Rabelo, Fernando vivia momentos de lazer no estado vizinho, mas, à medida que o cerco da Polícia Civil da Paraíba se intensificou, passou a adotar uma postura mais reclusa. Ele ficou foragido por quatro meses e, após a prisão, foi levado para a Central de Polícia, em João Pessoa.

Segundo o delegado, as imagens de Fernando Cunha Lima vão ser incluídas na investigação contra o médico.

Fernando Cunha Lima foi fotografo na piscina de um resort, em Pernambuco — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Nessa sexta-feira, o pediatra foi localizado dentro de um imóvel alugado, na praia do Janga, no município de Paulista, na Região Metropolitana do Recife. O médico não ofereceu resistência e usou uma bengala para andar. Ele estava acompanhado da esposa, mas também contava com uma rede de apoio para continuar foragido.

Fernando Cunha Lima estava foragido desde novembro de 2024 — Foto: Divulgação/Polícia Civil

De acordo com a defesa do médico, ele pediu para ser preso e cumprir prisão em Recife por temer sua integridade física e por ser o local onde mora a família dele. No entanto, a Polícia Civil afirma que o médico pediu para ser trazido para a Capital Paraibana, com a mesma justificativa, e defende que não houve ilegalidade durante a prisão.

O médico foi apresentado à Polícia Civil da Paraíba, em João Pessoa, fez exame de corpo de delito e voltou para Pernambuco, no fim da noite dessa sexta, onde passa por audiência de custódia neste sábado (8). A Polícia Civil da Paraíba espera que ele seja transferido de volta ao estado para cumprir a prisão preventiva.

A prisão do pediatra
Durante coletiva de imprensa, a Polícia Civil afirmou que o médico estava morando em um bairro de classe média baixa. A equipe identificou o imóvel onde ele vivia, foi até o local e a esposa do médico abriu a porta para os policiais. Nesse momento, eles já conseguiram visualizar o pediatra no sofá da residência e deram voz de prisão.

Em um primeiro momento, no mês de novembro, o médico estava morando na casa da filha, no bairro Casa Forte, em Recife. Ele fugiu uma semana antes de a Polícia Civil ir até o local e realizar uma busca na residência.

“Ele se deslocou para a cidade de Paulista, pulou para diversos endereços, e hoje nos revelou que estava neste endereço já fazia alguns meses. Disse que não estava tendo contato com os familiares, apenas por telefone”, afirmou o delegado da Draco, Rafael Bianchi.

De acordo com a Polícia Civil, os investigadores sempre identificaram o rastro do médico na Região Metropolitana do Recife. O pediatra sempre ficava em residências e não se expunha na rua. A esposa também não foi mais vista, mas ainda se arriscava e ia até comércios. Por isso, identificaram onde o acusado estava.

Ainda segundo o delegado Rafael Bianchi, o pediatra recebia apoio de pessoas de fora da família, que davam suporte logístico, como alimentação, compra de remédios, aparelho celular e chip de celular.

“Colocar a polícia para andar, para passar o CPF para A e para B, para efetivar compras em alguns lugares, para dar a ideia de que não está naquela localidade. Olha só a gravidade! Além do cometimento, há uma instrução de como burlar, há um poderio econômico e uma estrutura para burlar o aparato de justiça do nosso estado”, comentou o delegado André Rabelo.

Pediatra diz que não vai ficar preso
O médico Fernando Cunha Lima afirmou que tinha certeza de que não continuaria preso. Quando chegou à Central de Polícia, em João Pessoa, concedeu entrevista à imprensa.

“Agora, com a minha doença, eu não vou ficar preso”, afirmou. O médico é questionado por um repórter se tinha certeza do que afirmava, e ele responde: “Tenho certeza. Eu vou ficar só dois dias e saio”.

Durante coletiva de imprensa, o delegado-geral André Rabelo afirmou que o médico debocha da situação.

“O que chama atenção é um alvo com idade já avançada, instruído, e essa forma de debochar do Estado, de debochar da Justiça”, afirmou o delegado-geral.

“Ao invés de tentar responder, resolver o problema, não! Vamos esconder e dar uma resposta como essa: ‘Não passo dois dias preso’. Isso é muito grave! Porque, por trás disso, tem quantas pessoas? Quantas crianças? Seis a gente conseguiu elencar, mas quantas ao longo dessas décadas? Filhos meus, filhos dos senhores aqui, de todos nós aqui. Isso é muito grave. Quer nitidamente burlar a legislação, nitidamente quer transgredir mais uma vez. Transgredir diante da transgressão”, afirmou o delegado André Rabelo.

Na entrada da Central de Polícia, o médico também afirmou que era inocente e disse que estava foragido porque não queria ser preso. Ele afirma que estava em Pernambuco porque a filha morava lá e que não se entregou antes porque os advogados não o orientaram a fazer isso.

Ele também negou que abusou das vítimas. Ele é acusado de abusar de seis crianças dentro do próprio consultório. Duas sobrinhas do médico também afirmaram que sofreram abusos durante a infância.

Fernando Cunha Lima é preso e levado para a Central de Polícia, em João Pessoa — Foto: Reprodução/Jornal da Paraíba

O que diz a defesa do médico?
A defesa do médico afirmou, em nota, que entrou com um habeas corpus contra o fato de a Polícia Civil tê-lo trazido para João Pessoa. A Justiça entendeu, em decisão divulgada na noite dessa sexta-feira, que a audiência de custódia deve acontecer de fato em Pernambuco, local da prisão.

Ainda segundo a defesa, desde 21 de fevereiro, o médico pediu para ser preso e cumprir sua prisão no Recife por temer por sua integridade física e por ser o local onde mora sua família.

No entanto, o delegado Rafael Bianchi afirmou que trouxeram o pediatra para João Pessoa após um pedido do próprio. Ele afirmou à Polícia Civil que preferia ficar perto da família, já que a maior parte dela está em João Pessoa e apenas uma filha está em Recife.

Ainda segundo o delegado, existe jurisprudência pacificada, por economia processual e pela resolução do TJ da Paraíba, de que o juiz plantonista do estado que decretou a prisão pode fazer a apresentação nesse estado, e assim o fizemos. Por isso, defendeu que não houve nenhum tipo de ilegalidade.

As acusações contra o médico
A primeira denúncia formal de estupro de vulnerável contra o pediatra Fernando Cunha Lima aconteceu no dia 25 de julho.

A mãe da criança, que estava no consultório, disse em depoimento que viu o momento em que ele teria tocado as partes íntimas da criança. Ela informou que na ocasião imediatamente retirou os dois filhos do local e foi prestar queixa na Delegacia de Polícia Civil.

Após a primeira denúncia, uma série de vítimas começaram a procurar a Polícia Civil, inclusive uma sobrinha do médico em 1991.

O médico pediatra acusado de estuprar crianças, em João Pessoa, atendia a maioria das vítimas desde bebês e tinha a confiança das famílias. Fernando Paredes Cunha Lima é um pediatra famoso na capital paraibana e tinha uma clínica particular no bairro de Tambauzinho.

O Ministério Público pediu a condenação do acusado por quatro crimes cometidos contra três crianças, uma vez que uma das vítimas foi abusada duas vezes. Porém, o número de vítimas foi recalculado.

O médico responde judicialmente por estupro contra seis crianças. Em um primeiro processo, são quatro vítimas, e em um segundo, há mais duas.

Com a repercussão do caso, as sobrinhas do médico também procuraram a polícia para denunciar que tinham sido abusadas por ele na infância. O pediatra tem 81 anos e cuidou de várias gerações de crianças em João Pessoa.

Desde o início das investigações, a Polícia e o Ministério Público estadual pediram a prisão dele em cinco ocasiões, todas negadas. Mas, em novembro de 2024, os desembargadores da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba decidiram acolher o recurso do MP de forma unânime determinando a prisão dele pela primeira vez.

“A necessidade de impedir possível reiteração delitiva justifica nesse momento e sob minha ótica, a decretação da prisão preventiva, com respeito às demais entendimentos, para garantia da ordem pública”, afirmou o desembargador Ricardo Vital.

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