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Lula explica ausência em debate da Globo e defende medidas contra bets em entrevista ao Flow

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) explicou, durante entrevista ao Flow Podcast na noite desta quinta-feira (1º), por que decidiu não participar do debate presidencial que seria realizado pela TV Globo. O programa acabou cancelado pela emissora após decisões judiciais e a desistência de candidatos.

Lula afirmou que considera pouco produtivo o formato com muitos concorrentes e longos intervalos entre as falas. “Eu tenho questionado os debates da Globo. Eu fui em todos, em 1989, em 1994 não teve debate porque a Globo defendia a eleição do Fernando Henrique Cardoso e não teve debate, assim como 1998. Quando você tem debate com cinco ou seis candidatos, você fala um minuto e espera dez. Esses debates são infrutíferos e não produzem nada”, declarou.

Segundo o presidente, os debates também acabam sendo marcados por comportamentos que desviam o foco da discussão sobre o país. “Aí, o pessoal começa a fazer gracinha e quando você está num debate pela presidência da República, você está discutindo o país, é sério”, afirmou.

Lula disse que já havia decidido não comparecer ao encontro. “Então, eu estava decidido a não ir no debate, o pessoal já me conhece demais”, declarou. Ele havia anunciado a decisão na quarta-feira (30).

Cancelamento do debate

A Globo havia convidado os candidatos Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Lula. Uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) garantiu posteriormente a participação de Romeu Zema (Novo).

Na noite desta quinta-feira (1º), outra decisão judicial determinou a presença de Renan Santos, do Missão. O candidato chegou a publicar um vídeo a caminho dos estúdios da emissora.

Pouco antes do programa, Flávio Bolsonaro informou que também não participaria do debate. Em seguida, a Globo cancelou a transmissão.

Críticas a Daniel Vorcaro e à Globo

Durante a entrevista, Lula também comentou as investigações envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ao ser questionado sobre o caso, o presidente mencionou a relação do banqueiro com o apresentador Luciano Huck e fez críticas à Globo.

“Esse tal de Vorcaro não era apenas um ladrão, ele era um mágico. Ele envolvia todo mundo, até o Luciano Huck, que aparece de vez em quando querendo ser político. De repente a gente descobre que ele viajava no avião do Vorcaro pra baratear as custas do programa dele junto à Globo”, afirmou.

Lula defendeu a apuração das relações do empresário com outras pessoas e disse que teve apenas um encontro com Vorcaro, com duração aproximada de meia hora. Segundo o presidente, o banqueiro teria alegado estar sendo perseguido politicamente.

“Esse rapaz veio aqui e disse que estava sendo perseguido politicamente. Eu disse a ele que não tinha perseguição política no meu governo, que ele estava sendo investigado pelo Banco Central e que se encontrássemos coisa errada ele teria que pagar. Tinha coisa errada e nós fechamos o banco”, relatou.

Lula também afirmou que, em Brasília, muitas pessoas teriam relação com o empresário e ironizou a informação de que nunca teria sido convidado para festas promovidas por Vorcaro.

O conteúdo apresentado durante a entrevista incluiu alegações sobre supostos encontros de Vorcaro com outras autoridades e políticos. Essas afirmações foram mencionadas por Lula e não foram apresentadas, no material, como conclusões definitivas de investigação ou decisão judicial.

O presidente ainda negou conhecer Roberta Luchsinger, apontada como amiga de seu filho, Fábio Luís, conhecido como Lulinha. Lula contestou a afirmação de que teria oferecido um cargo a ela no governo e declarou que ela teria mentido.

Lula critica casas de apostas

Outro tema abordado foi o funcionamento das casas de apostas on-line, conhecidas como bets. Lula defendeu a medida provisória enviada ao Congresso Nacional para proibir a atuação dessas empresas no país e desafiou os parlamentares a rejeitarem a proposta.

“Eu não vou mais brincar com isso, vocês (Bets) não conseguiram controlar. Mas ainda não acabou, isso é uma guerra. Eu duvido que o Congresso tenha coragem de acabar com ela (Medida Provisória), essa é uma briga boa”, afirmou.

O presidente disse que tomou a decisão depois de se reunir, no Palácio do Planalto, com familiares de pessoas endividadas e que teriam desenvolvido dependência em relação às apostas.

“Ali, eu tomei a decisão de acabar com essa peste, porque está empobrecendo o povo brasileiro e endividando”, declarou.

Lula relacionou o endividamento de parte da população ao crescimento das bets e afirmou que não recuará diante da pressão do setor. “Eu vou acabar com as bets, doa a quem doer”, disse.

Ele também mencionou a atuação de influenciadores na divulgação das plataformas e afirmou que integrantes de sua equipe demonstraram preocupação com possíveis impactos eleitorais da medida.

“Muita gente não queria que eu acabasse com as bets por causa da política. Tinha gente que dizia que os times e os deputados iam ficar contra mim. Na política, não há prova de que isso pode me dar voto. A única coisa certa é que eu tomei a decisão de não permitir que o povo pobre seja extorquido, perdendo o dinheiro do pão e do leite do filho para aposta”, afirmou.

Eleição, governo e perspectivas

Na provável última entrevista antes do primeiro turno, marcado para domingo (4), Lula fez uma avaliação da campanha e disse que pretende continuar atuando contra o avanço do que chamou de fascismo.

“Se não fosse eu pra enfrentar esses fascistas, eles ganhariam as eleições com facilidade. Enquanto eu estiver vivo, trabalharei para que o fascismo não volte ao país”, declarou.

O presidente também falou sobre as possibilidades econômicas do país, citando a exploração de petróleo na margem equatorial. Segundo ele, os recursos poderiam ser utilizados na formação de jovens e no desenvolvimento do Brasil.

Lula mencionou ainda ações de combate à fome e obras de transposição de águas no Nordeste. “A seca é um fenômeno da natureza, mas a pobreza é responsabilidade do governo”, afirmou.

Questionado sobre um eventual ajuste fiscal, o presidente disse que não pretende transferir o custo das medidas para a população mais pobre.

“Nós não vamos jogar nas costas do povo a contenção fiscal, temos que jogar nas costas do rico”, declarou. Lula defendeu a revisão de desonerações e afirmou que setores com maior renda devem contribuir mais.

O presidente também disse que pessoas pobres devem ter acesso a espaços e serviços antes restritos às classes mais altas, além de citar a entrada de filhos de trabalhadores em universidades por meio do Programa Universidade para Todos (Prouni).

Bolsa Família

Lula negou que o reajuste do Bolsa Família tenha sido motivado pelas eleições. Segundo ele, o aumento ocorreu porque havia espaço no orçamento e porque os valores estavam sem correção havia quatro anos.

“Você acha que eu dei aumento no Bolsa Família por causa das eleições? Não, é porque sobrou espaço fiscal. É porque no orçamento permitia, estávamos há quatro anos sem dar reajuste e eu fiquei puto com os meus ministros da área econômica. Como é possível não darmos reajuste de inflação? Não é aumento, estamos repondo o que a inflação comeu”, afirmou.

O presidente reconheceu, porém, que o reajuste ficou abaixo do que considerava necessário.

da Redação

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