Política

Governo avalia mudanças no BB e na Caixa e indica manter Magda na Petrobras

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia mudanças no comando do Banco do Brasil e da Caixa para o próximo mandato, apurou o Estadão/Broadcast. Na Petrobras, interlocutores da administração petista indicaram que a presidente da estatal, Magda Chambriard, deve ser mantida no cargo.

No Banco do Brasil, a troca da atual presidente, Tarciana Medeiros, é dada como quase certa. Internamente, os nomes de três atuais vice-presidentes do Banco do Brasil são citados para a sucessão de Medeiros. São eles: Francisco Lassalvia, vice-presidente de Gestão Financeira e de Relações com Investidores; Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar; e Marco Geovanne Tobias da Silva, vice-presidente de Gestão Financeira e de Relações com Investidores. Nos três casos, a leitura é de aceno aos servidores de carreira do banco e de ajuste ao mercado com “correção de rumo”.

Outro nome cogitado é o do atual ministro da Fazenda, Dario Durigan. Ele tem sido cuidadoso ao falar de sua atuação no quarto mandato de Lula. Argumenta que estará no posto até o fim do ano e que ainda não conversou com o presidente sobre seu destino a partir de 2027.

As três empresas públicas são as que mais atraem atenções entre políticos, sobretudo do Centrão, que, constantemente, tentam sugerir aliados às estatais, em especial em um momento de início de um novo mandato. A escolha dos nomes para o Banco do Brasil e a Petrobras, em especial, também desperta grande atenção por parte do mercado financeiro pelo fato de suas ações estarem listadas na bolsa. Por isso, as indicações são consideradas “sensíveis”.

Ao longo de seu terceiro mandato, o BB foi o único que manteve a presidente durante os quatro anos. Na Caixa, Lula primeiro nomeou Maria Rita Serrano, servidora de carreira do banco, e a trocou por Carlos Vieira, indicado do então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), em outubro de 2023. Na Petrobras, o presidente da República começou com o ex-senador Jean Paul Prates como chefe da estatal e depois o substituiu por Magda Chambriard.

Banco do Brasil

Tarciana foi indicada para o cargo no início do terceiro mandato de Lula na Presidência e é considerada próxima à primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja. Medeiros é a primeira mulher à frente do banco público. Manteve-se no posto, ainda que lideranças do Centrão tenham tentado indicar um nome para comandar o BB em seu lugar.

Apesar disso, a substituição é cogitada principalmente pelos resultados do banco no último ano. Em 2025, houve uma queda de 45,4% no lucro em relação a 2024, chegando a R$ 20,7 bilhões. No primeiro semestre deste ano, o lucro foi de R$ 7,3 bilhões, um tombo de 34% na comparação com igual período no ano passado. Essa queda nos lucros fez com que a participação nos lucros e resultados (PLR) dos funcionários do banco caísse, provocando insatisfação internamente, segundo interlocutores.

Há pressão também de uma ala do mercado para saída da presidente do BB, dizem pessoas a par do tema. A avaliação no setor privado é de que a fraqueza nos resultados do BB desgastou a gestão de Medeiros. Desde o ano passado, o banco enfrenta uma disparada na taxa de inadimplência, diante da pressão no agronegócio, a maior carteira da instituição financeira. Juros elevados e volatilidade nos preços das commodities comprimiram as margens de produtores rurais e dificultaram a capacidade de pagamento. O movimento afeta todo o setor, mas observadores dizem, reservadamente, que o BB cometeu erros na gestão de risco e ainda tem um longo caminho até estabilizar a situação.

Medeiros também foi cobrada em uma reunião fechada com o presidente Lula e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, durante a campanha eleitoral por causa do baixo desembolso nas linhas de financiamento do Move Brasil, linha de crédito para motoristas de aplicativo. O programa foi uma das medidas adotadas pelo governo a fim de aumentar a sua popularidade.

Na última quarta-feira (28), a vice-presidente de Negócios de Varejo do BB, Carla Nesi, renunciou ao cargo, movimento visto internamente como um sinal de mudanças no banco nos próximos meses.

Em relação aos sucessores de Tarciana, há cenários que colocam Dario Durigan da Fazenda à frente do Banco do Brasil a partir de janeiro. Interlocutores ponderam, entretanto, que há elevado interesse do mercado privado, sobretudo do setor financeiro, em integrar Durigan aos seus quadros, após o cumprimento de uma quarentena, em virtude do trânsito no Executivo e do conhecimento da máquina pública.

Caixa

Na Caixa Econômica Federal, a tendência também é de substituição do presidente Carlos Vieira, indicado pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL). A Caixa costuma ser cobiçada por integrantes do Centrão pela capilaridade do banco público, pelos programas sociais que o banco é responsável pelo financiamento e tende a entrar no rol de reacomodação da base aliada.

O banco público também apresenta resultados aquém do esperado pelo mercado. No primeiro semestre deste ano, a Caixa obteve lucro líquido de R$ 7,4 bilhões, queda de 17,6% em um ano. Apesar disso, a instituição segue ampliando a concessão no financiamento imobiliário, cuja carteira superou a marca de R$ 1 trilhão. O banco também lidera o crédito via Minha Casa, Minha Vida. O banco tem pressão nos resultados advinda da inadimplência na carteira de crédito rural, que atingiu 20,74% no segundo trimestre deste ano ante 7,02% registrados no mesmo período de 2025.

Apesar de Lula ter mantido uma boa relação com Vieira ao longo do mandato, um episódio especificamente desgastou o presidente da Caixa. Foi quando Vieira confirmou, em entrevista ao jornal O Globo em outubro de 2025, que a Caixa lançaria uma bet. Lula estava viajando à Ásia na oportunidade. Ficou irritado, segundo pessoas a par do assunto ouvidas pelo Estadão/Broadcast, e disse que queria conversar com Vieira prontamente quando voltasse ao Brasil. Logo depois da conversa, os planos de lançamento da bet da Caixa foram paralisados. Apesar do estresse, Vieira se manteve no cargo e manteve boa relação com o presidente até este momento.

Petrobras

Na Petrobras, Lula sinaliza ao setor privado e a integrantes do governo que tende a manter Magda Chambriard, que assumiu a empresa pública em maio de 2024. Lula já deu declarações públicas elogiando o trabalho de Chambriard à frente da estatal, chamando-a de “Rainha do Brasil” após a descoberta de petróleo na Margem Equatorial. O ritmo de entregas de Chambriard à frente da Petrobras agrada a Lula, que tinha divergências com o ex-senador Jean Paul Prates.

Nessa quinta-feira (29), a Petrobras anunciou que encontrou petróleo em mais uma área do poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. Foi a terceira descoberta feita pela Petrobras neste ano nesse mesmo poço.

A manutenção de Magda, se confirmada, destoa da intenção primeira do governo, em um novo mandato, de dar uma cara totalmente nova ao Lula 4. De acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto, essa busca por uma nova roupagem se dá por causa da constatação das críticas feitas à forma da administração atual, que se encerra no fim do ano. Além disso, Lula quer apresentar um “frescor” no seu último governo, montando uma equipe que não seja formada apenas por “figurinhas repetidas” de mandatos anteriores.

com Estadão.com.br

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo