Política

Flávio Bolsonaro se junta a aliados bolsonaristas que deixaram o Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil nessa terça-feira (27), dois dias após ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições. Ele viajou para os Estados Unidos acompanhado da mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e das duas filhas.

A família cruzou a fronteira por Foz do Iguaçu e seguiu para Puerto Iguazú, na Argentina. De lá, embarcou em uma aeronave com destino a Guayaquil, no Equador, e depois para Miami, nos Estados Unidos. A rota entre o Equador e os Estados Unidos não passou pelo espaço aéreo brasileiro.

Flávio utilizou um passaporte italiano no embarque, enquanto Fernanda viajou com o documento brasileiro. A aeronave, um Gulfstream G400 de matrícula LV-JQW, era operada pela empresa argentina Baires Fly S.A. O governo da Argentina confirmou a entrada do senador no país, mas não informou qual documento foi apresentado por ele nem como ocorreu a saída do território brasileiro.

A viagem ocorreu menos de 24 horas depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega dos passaportes brasileiros e de eventuais documentos estrangeiros pertencentes ao ex-candidato, além de proibir que ele deixasse o país. Flávio não entregou os documentos.

A saída do senador amplia a relação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que deixaram o Brasil ou tentaram escapar para outros países após derrotas políticas, decisões judiciais ou condenações. Entre eles estão Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli, Alexandre Ramagem e Silvinei Vasques.

Eduardo Bolsonaro

Eduardo Bolsonaro foi para os Estados Unidos em março de 2025. Segundo as informações do caso, o ex-deputado passou a atuar junto ao governo de Donald Trump para tentar obter medidas contra Alexandre de Moraes e pressionar o Brasil durante o processo envolvendo Jair Bolsonaro.

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O ex-parlamentar tornou-se réu no STF sob acusação de coação por sua atuação no exterior para tentar suspender o processo contra o pai, relacionado à trama golpista. A Primeira Turma da Corte recebeu a denúncia em novembro.

Em dezembro do ano passado, a Câmara dos Deputados cancelou o passaporte diplomático de Eduardo, documento que ele teria utilizado para entrar nos Estados Unidos. A medida foi tomada um dia depois da cassação do mandato do ex-deputado.

Eduardo também chegou a considerar uma candidatura a suplente de André do Prado (PL) na disputa pelo Senado por São Paulo. A possibilidade foi abandonada após a avaliação de que a candidatura poderia ser impugnada, já que ele está inelegível.

Carla Zambelli

Carla Zambelli deixou o Brasil depois de ser condenada por envolvimento em uma invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), usados para inserir documentos falsos, como alvarás de soltura e mandados de prisão.

carla zambelli

A ex-deputada também foi condenada pelo STF por apontar uma arma para um homem na véspera do segundo turno das eleições de 2022.

Zambelli foi presa na Itália em uma operação conjunta da Polícia Federal brasileira com autoridades italianas. Ela foi localizada no apartamento onde morava desde que chegou ao país.

Depois de uma disputa na Câmara dos Deputados sobre a manutenção do mandato, a ex-deputada renunciou ao cargo. Atualmente, aguarda uma decisão da Justiça italiana sobre o pedido de extradição para o Brasil.

Alexandre Ramagem

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem saiu do Brasil clandestinamente pela fronteira com a Guiana, segundo informações da Polícia Federal. As autoridades investigam quem teria auxiliado na fuga.

alexandre ramagem

Ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e delegado da Polícia Federal, Ramagem foi condenado pelo STF no processo que apura a trama golpista envolvendo o núcleo principal, incluindo Jair Bolsonaro. Ele também foi demitido da corporação.

Ramagem deixou o país em setembro de 2025, antes do início do cumprimento da pena, e passou a viver nos Estados Unidos. Antes do segundo turno, no domingo (25), afirmou que pretendia retornar ao Brasil se Flávio Bolsonaro vencesse a eleição. Ele também disse esperar uma eventual anistia ou revisão da condenação pela Suprema Corte.

Silvinei Vasques

O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques foi preso no Paraguai em dezembro do ano passado, quando tentava embarcar no aeroporto de Assunção com destino a El Salvador.

silvinei vasques

De acordo com a Polícia Federal, ele havia rompido a tornozeleira eletrônica em Santa Catarina e passou a ser monitorado durante o deslocamento. Para viajar, teria usado o passaporte de outra pessoa e apresentado um bilhete em que alegava ter câncer na cabeça e, por isso, não conseguia falar.

A tentativa ocorreu após a Primeira Turma do STF condená-lo a 24 anos e seis meses de prisão por envolvimento na articulação de medidas para viabilizar um golpe de Estado. Entre as acusações está a tentativa de dificultar o voto de eleitores do Nordeste nas eleições de 2022.

Silvinei cumpre pena na Papudinha, ala especial do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

da Redação

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