
Desde a retomada das eleições diretas para presidente, em 1989, o Brasil passou por disputas marcadas pela redemocratização, pela estabilização da economia, pela alternância de partidos no poder e pelo aumento da polarização política. Até 2022, foram realizadas nove eleições presidenciais diretas, com cinco nomes eleitos para comandar o país: Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro.
Os resultados oficiais dos pleitos podem ser consultados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 2026, Lula e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno, marcado para este domingo (25).
1989 — Collor supera Lula na volta do voto direto
A primeira eleição presidencial direta após quase 30 anos ocorreu em meio ao processo de redemocratização. O pleito reuniu vários candidatos, entre eles Fernando Collor de Mello (PRN), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Leonel Brizola (PDT).

Collor terminou o primeiro turno, realizado na quarta-feira (15) de novembro, à frente de Lula. Na votação decisiva, em 17 de dezembro, o candidato do PRN recebeu 35.089.998 votos, correspondentes a 53,03% dos válidos. Lula ficou com 31.076.364 votos, ou 46,97%.
A disputa também marcou a adoção do segundo turno nas eleições presidenciais brasileiras após a redemocratização.
1994 — Plano Real impulsiona vitória de FHC
A implantação do Plano Real foi o principal tema da eleição de 1994. Fernando Henrique Cardoso (PSDB), então ministro da Fazenda, associou sua candidatura ao programa criado para combater a inflação e venceu a disputa sem necessidade de uma segunda votação.

No primeiro turno, realizado na segunda-feira (3) de outubro, FHC obteve aproximadamente 54,3% dos votos válidos. Lula terminou em segundo, com cerca de 27%.
Foi a primeira eleição presidencial desde a redemocratização decidida já no primeiro turno.
1998 — Fernando Henrique é reeleito
Quatro anos depois, Fernando Henrique Cardoso voltou a disputar a Presidência como candidato à reeleição. A campanha foi influenciada pelos efeitos do Plano Real e por discussões sobre emprego, crescimento econômico e crises financeiras internacionais.

Na votação de domingo (4) de outubro, o tucano alcançou 53,06% dos votos válidos. Lula novamente ficou na segunda posição, com 31,71%.
Com o resultado, FHC se tornou o primeiro presidente brasileiro a conquistar um segundo mandato consecutivo após a aprovação da emenda constitucional que permitiu a reeleição.
2002 — Lula vence após quatro tentativas
Depois de concorrer à Presidência em 1989, 1994 e 1998, Lula conseguiu chegar ao Palácio do Planalto em 2002. A campanha petista defendia mudanças sociais e econômicas, enquanto José Serra (PSDB) representava a continuidade do grupo político que governava o país.

Lula liderou o primeiro turno, no domingo (6) de outubro, mas não alcançou mais da metade dos votos válidos. No segundo turno, realizado no domingo (27) de outubro, recebeu 52.793.364 votos, equivalentes a 61,27%. Serra obteve 33.370.739 votos, ou 38,73%.
A vitória levou o PT pela primeira vez à Presidência. A eleição também foi a primeira disputa presidencial totalmente informatizada em todo o território nacional.
2006 — Lula conquista o segundo mandato
Candidato à reeleição pelo PT, Lula enfrentou Geraldo Alckmin (PSDB) em uma campanha influenciada por debates sobre programas sociais, crescimento econômico e denúncias de corrupção envolvendo integrantes do governo.

Como não superou a marca de 50% dos votos válidos no primeiro turno, Lula voltou às urnas contra Alckmin no domingo (29) de outubro. O petista foi reeleito com 58.295.042 votos, o equivalente a 60,83%. Alckmin recebeu 37.543.178 votos, ou 39,17%.
2010 — Dilma se torna a primeira mulher eleita presidente
A sucessão de Lula levou Dilma Rousseff (PT) à disputa presidencial de 2010. Escolhida como candidata apoiada pelo então presidente, que não poderia concorrer a um terceiro mandato consecutivo, Dilma enfrentou José Serra (PSDB).

Ela liderou o primeiro turno, mas a definição ocorreu no domingo (31) de outubro. Dilma venceu com 55.752.529 votos, correspondentes a 56,05% dos válidos. Serra obteve 43.711.388 votos, ou 43,95%.
Com o resultado, o PT permaneceu no governo federal e Dilma se tornou a primeira mulher eleita presidente do Brasil. A posse ocorreu em janeiro de 2011.
2014 — Dilma vence Aécio por margem estreita
Na tentativa de permanecer no cargo, Dilma enfrentou Aécio Neves (PSDB) em uma das eleições mais equilibradas da história do país. O primeiro turno também contou com Marina Silva, que assumiu a candidatura do PSB após a morte de Eduardo Campos em um acidente aéreo durante a campanha.

A disputa foi decidida no domingo (26) de outubro. Dilma recebeu 54.501.118 votos, ou 51,64% dos válidos, enquanto Aécio obteve 51.041.155 votos, equivalentes a 48,36%.
A diferença foi de pouco mais de 3,4 milhões de votos. Dois anos depois, em 2016, Dilma deixou a Presidência após a conclusão de um processo de impeachment no Congresso Nacional.
2018 — Bolsonaro derrota Haddad
A eleição de 2018 ocorreu depois do impeachment de Dilma e em um ambiente de desgaste dos partidos tradicionais e forte polarização. Jair Bolsonaro, então filiado ao PSL, concentrou sua campanha em pautas conservadoras, segurança pública e críticas ao sistema político.

Fernando Haddad (PT) entrou na disputa depois de Lula ser impedido de concorrer. No segundo turno, no domingo (28) de outubro, Bolsonaro recebeu 57.797.847 votos, o equivalente a 55,13%. Haddad somou 47.040.906 votos, ou 44,87%.
O resultado interrompeu uma sequência de quatro vitórias presidenciais do PT — duas com Lula e duas com Dilma — e levou Bolsonaro ao governo para o período de 2019 a 2022.
2022 — Lula retorna ao Palácio do Planalto
A eleição de 2022 colocou novamente Lula e Jair Bolsonaro frente a frente. A campanha foi marcada por divergências sobre a condução do país durante a pandemia de Covid-19, a economia, os programas sociais e a confiança nas instituições democráticas.

No primeiro turno, realizado no domingo (2) de outubro, Lula ficou na liderança, mas não alcançou a maioria absoluta. A decisão ocorreu no domingo (30) de outubro, quando o petista recebeu 60.345.999 votos, ou 50,90% dos válidos. Bolsonaro teve 58.206.354 votos, correspondentes a 49,10%.
A diferença de 2.139.645 votos fez de Lula o primeiro presidente brasileiro eleito para um terceiro mandato não consecutivo. Também foi o segundo turno mais apertado da série iniciada em 1989 até aquele momento.
2026 — Flávio Bolsonaro e Lula disputam o segundo turno
O primeiro turno de 2026 colocou Flávio Bolsonaro (PL) na liderança nacional, com 56.104.503 votos, equivalentes a 47,03% dos válidos. Lula terminou em segundo, com 53.879.538 votos, ou 45,16%.

Como nenhum dos dois alcançou mais da metade dos votos válidos, a eleição será definida neste domingo (25). Augusto Cury (Avante) ficou com 2,89%, Renan Santos (Missão) alcançou 2,24% e Ronaldo Caiado (PSD) obteve 2,18%, conforme a totalização divulgada pelo TSE.
O que mudou em mais de três décadas de eleições
A sequência de eleições diretas iniciada em 1989 acompanha transformações importantes da política brasileira. O período inclui a retomada do voto popular após a ditadura militar, a estabilização econômica promovida pelo Plano Real, a chegada do PT ao governo, a eleição da primeira mulher presidente, o impeachment de Dilma e a ascensão de Jair Bolsonaro.

Apenas duas eleições foram definidas no primeiro turno: 1994 e 1998, ambas vencidas por Fernando Henrique Cardoso. Nas outras disputas realizadas entre 1989 e 2022, foi necessário um segundo turno.
Lula foi eleito em 2002, reeleito em 2006 e voltou ao cargo em 2022. FHC venceu duas vezes, enquanto Collor, Dilma e Bolsonaro tiveram uma vitória cada nesse período. A alternância entre diferentes grupos políticos e a consolidação do segundo turno passaram a ser marcas da escolha presidencial no país.
da Redação



