Operação mira rede que vendia material de abuso infantil na PB e em outros três estados

Uma ofensiva policial deflagrada nesta segunda-feira (11) na Paraíba e em outros três estados resultou em prisões, apreensões e internações de adolescentes suspeitos de integrar uma rede que comercializava imagens e vídeos de abuso sexual contra crianças. A ação é parte da terceira fase da operação “NIX – Oculus Legis”, conduzida pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (NOAD) da Polícia Civil de São Paulo, que já identificou cerca de 700 vítimas em todo o território nacional.
As investigações revelam um cenário alarmante: meninos e meninas, alguns com apenas 7 anos, eram aliciados em plataformas digitais e expostos a práticas que iam desde estupros virtuais até incentivos à automutilação e ao suicídio. Também foram registrados casos de maus-tratos a animais e outros crimes de alta gravidade.
Nesta etapa, foram cumpridos dois mandados de prisão, três de internação de adolescentes e 14 de busca e apreensão em São Paulo, Pernambuco, Paraná e na Paraíba. Entre os alvos está um adolescente de 14 anos, apreendido pela terceira vez em Pernambuco. O grupo também é investigado por invasão de sites governamentais, inserção de dados falsos, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.
De acordo com a delegada Lisandrea Salvariego, responsável pelo NOAD, a maior parte das famílias desconhecia o que estava acontecendo com as vítimas, o que aumenta o risco de subnotificação. Ela reforçou a importância de pais e responsáveis denunciarem qualquer suspeita.
As apurações mostram ainda que integrantes da rede chegaram a ameaçar autoridades após fases anteriores da operação, em retaliação às prisões de líderes que atuavam na plataforma Discord.
O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, afirmou que o trabalho do NOAD é inédito no país e que “a internet não é terra sem lei”. Para ele, o fato de os investigadores receberem ameaças “mostra que o trabalho está incomodando, e não vamos parar”.
da Redação




