Política

Candidatos e entidades criticam cancelamento de debate da TV Globo após decisões judiciais

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A TV Globo cancelou o debate entre os candidatos à Presidência da República que seria transmitido na noite dessa quinta-feira (1º). A decisão foi anunciada depois que a emissora recebeu, poucas horas antes do programa, intimações referentes a decisões de ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Uma das determinações, assinada pela ministra Estela Aranha, do TSE, proibiu a exibição do púlpito reservado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que havia informado que não participaria do debate. A magistrada também vetou a formulação de perguntas dirigidas ao petista.

A regra previamente aprovada pelos partidos previa que, em caso de ausência, o púlpito do candidato permanecesse vazio e identificado. O regulamento também permitia que os concorrentes presentes fizessem perguntas ao ausente em uma das rodadas de tema livre.

Após a decisão, Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que não compareceria ao programa. O candidato afirmou que a determinação representava censura do TSE.

Outra decisão judicial, desta vez do ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou que Renan Santos (Missão) fosse incluído entre os participantes. O candidato chegou a se dirigir aos estúdios da emissora.

Antes dessas medidas, pedidos relacionados ao debate já haviam sido analisados pelas ministras Cármen Lúcia e Estela Aranha e pelo ministro Kassio Nunes Marques, conforme as decisões mencionadas no caso. Nunes Marques havia autorizado a participação de Romeu Zema (Novo).

Em comunicado, a Globo afirmou que as decisões tomadas sucessivamente provocaram insegurança jurídica e representaram, na avaliação da emissora, uma interferência indevida na liberdade de imprensa. A empresa também defendeu o direito dos veículos de comunicação de estabelecer a organização e as regras dos debates eleitorais.

Candidatos criticam cancelamento

Após o anúncio, os candidatos que já estavam na emissora participaram de uma entrevista coletiva e lamentaram o cancelamento do programa.

Augusto Cury (Avante) afirmou que os eleitores não conseguem conhecer as propostas dos candidatos sem a realização de debates. Ele classificou o episódio como um atentado à democracia e declarou que, segundo o Instituto Eurásia, apenas 40% da população sabem que ele é candidato, enquanto 60% não têm essa informação.

Romeu Zema criticou a atuação do Judiciário durante o período eleitoral. Segundo o candidato do Novo, o país estaria presenciando mais uma vez o Judiciário fazendo política. Zema disse não ser contrário à participação de nenhum candidato, mas defendeu o cumprimento das regras que haviam sido acordadas anteriormente. Para ele, houve uma tentativa de manipulação do debate.

Ronaldo Caiado (PSD) classificou as decisões como uma grave afronta à democracia brasileira. Na avaliação do candidato, as determinações do TSE e do STF prejudicaram o processo eleitoral e impediram que os concorrentes apresentassem suas ideias diretamente aos eleitores.

Entidades manifestam preocupação

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgaram uma manifestação conjunta de indignação contra a intervenção judicial no debate.

As entidades afirmaram que a mudança de regras definidas previamente configura uma agressão à liberdade de imprensa de uma emissora privada. Também disseram que a medida prejudica o direito dos cidadãos de conhecer as propostas dos candidatos.

da Redação

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