Brasil tem maior número de chapas puro-sangue desde a redemocratização

As eleições de 2026 contarão com o maior número de chapas puro-sangue desde o pleito de 1989, o primeiro realizado após a redemocratização do país. O cenário se consolidou após diversos partidos e coligações escolherem a neutralidade no âmbito nacional.
O levantamento mostra que a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é a única que possui uma coligação no âmbito nacional pela Federação Brasil da Esperança, criada em 2022.
Atualmente o grupo é formado por PT (Partido dos Trabalhadores), PCdoB (Partido Comunista do Brasil), PV (Partido Verde), PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), Rede Sustentabilidade, PSB (Partido Socialista Brasileiro) e PDT (Partido Democrático Trabalhista).
Em comparação ao último pleito nacional, em 2022, três candidatos contavam com coligações: Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil da Esperança – PT, PCdoB, PSOL, Rede, PSB, Solidariedade, Avante, PROS e Agir), Jair Bolsonaro (Muda Brasil – PL, PP e Republicanos) e Simone Tebet (Brasil para Todos – MDB, Podemos, PSDB e Cidadania).
Na análise, esse contexto caminha para uma “paroquização” da política brasileira, com os redutos eleitorais ganhando cada vez mais força e a sinalização de que uma ausência de apoio nacional não reflete na chapa no estado.
“É uma conjuntura que fortalece muito os caciques e as lideranças regionais, favorecendo a pulverização das alianças locais. Em vez de uma grande coalizão organizada de cima para baixo pela candidatura presidencial, teremos vários acordos construídos de baixo para cima, a partir dos estados”, aponta.
“A diferença é que o partido deixa de impor uma única escolha presidencial para todo o país. Isso permite que uma legenda apoie determinado candidato presidencial em um estado e outro candidato em uma região diferente, de acordo com a conveniência eleitoral de cada diretório”, completa Medeiros.
Apesar dessa mudança, outros motivos podem incentivar a formação de coligações. No caso da Federação Brasil da Esperança, a única do ano, o especialista vê uma espécie de “herança” vinda do último pleito, somada a uma questão de “sobrevivência eleitoral”.
“Legendas tradicionais de esquerda, como PSB e PDT, passam por processos de redução de suas bancadas e de perda de protagonismo nacional. A aliança com Lula funciona como uma estratégia de preservação de espaço político.”
Falta de mulheres
Outro ponto de destaque neste ano é a ausência de mulheres nas chapas presidenciais mais competitivas. Dos 25 nomes já confirmados de candidatos e vices, apenas seis são mulheres.
No entanto, dessas seis, apenas duas delas, Samara Martins (UP) e Clariana Barão (DC), ocupam a titularidade da composição, enquanto Raquel Brício (UP), Cleusa Santos (PCB), Vanessa Portugal (PSTU) e Fabiana Torquato (DC) concorrem como vices.
Devido às chapas puro-sangue, o pesquisador pontua que existe uma menor pressão para que ocorra uma diversidade, uma vez que todas as decisões são feitas somente pelo partido.
“Candidaturas ‘solteiras’, sem coligações, ficam menos plurais. Há menos incentivos para construir uma chapa que represente diferentes segmentos da coalizão, com critérios regionais, sociais e também de gênero”, completa Medeiros.
com CNN Brasil




