Relatório final da CPMI do INSS pede indiciamento de 216 suspeitos e mira figuras ligadas ao Planalto

O deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), relator da CPMI do INSS, apresentou nesta sexta-feira (27) um contundente relatório final de 4.340 páginas que detalha um esquema sistêmico de fraudes e descontos indevidos em aposentadorias e pensões. O documento, fruto de meses de investigação sobre irregularidades em empréstimos consignados e mensalidades associativas, propõe o indiciamento de 216 pessoas e entidades. A leitura do texto ocorreu em um ambiente de extrema tensão no Congresso Nacional, após o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitar a prorrogação da comissão e fixar este sábado (28) como a data limite para a votação definitiva dos trabalhos.
O relatório descreve uma rede complexa que envolve desde o alto escalão do serviço público até influentes empresários e figuras politicamente expostas. Entre os principais nomes sugeridos para indiciamento estão Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), o empresário José Ricardo Soares Filho, conhecido como Vorcaro, e um servidor do INSS apelidado de “Careca”. O relator também foca no setor financeiro, responsabilizando criminalmente sete representantes de bancos por negligência ou conivência com as fraudes, além de solicitar a prisão preventiva de ex-diretores da Dataprev e servidores que teriam facilitado o acesso a dados sigilosos de beneficiários em todo o país.
Para além das punições, Alfredo Gaspar propõe mudanças estruturais na legislação para impedir que novos golpes vitimem os aposentados. Entre as medidas sugeridas estão a obrigatoriedade de assinatura biométrica facial para qualquer novo desconto associativo, o bloqueio automático de empréstimos consignados para novos benefícios por um período de 180 dias e a realização de auditorias externas semestrais nos sistemas da Dataprev. O clima para a votação de amanhã é de forte polarização; enquanto a oposição celebra o texto como um avanço contra a corrupção, a base governista, liderada por Paulo Pimenta, contesta os indiciamentos e prepara um relatório paralelo para tentar desvincular nomes ligados ao Palácio do Planalto do esquema investigado.
da Redação




