Aesa alerta para possibilidade de “Super El Niño” com impactos na Paraíba em 2026

O cenário climático global em 2026 pode enfrentar uma mudança drástica com a provável formação de um “Super El Niño” a partir do segundo semestre. O fenômeno, que consiste no aquecimento acima da média das águas do Oceano Pacífico, ameaça elevar as temperaturas e comprometer o regime de chuvas em diversas partes do mundo. Na Paraíba, a Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa) monitora a transição e alerta para os riscos de seca e prejuízos ao setor produtivo caso o aquecimento se confirme com alta intensidade.
De acordo com a meteorologista Carmem Becker, subgerente da Aesa, o El Niño é caracterizado pelo aumento persistente da temperatura do mar em pelo menos 0,5°C na região central e leste do Pacífico Equatorial. Após um período de influência do La Niña em 2025, o oceano encontra-se atualmente em fase neutra, mas os modelos indicam um aquecimento gradual. Para o trimestre que compreende os meses de abril, maio e junho, a probabilidade de manutenção da neutralidade oscila entre 50% e 55%, enquanto a chance do El Niño surgir já aparece com índices entre 40% e 47%.
O impacto real do fenômeno no território paraibano depende da interação com o Oceano Atlântico. Se o Pacífico aquecer enquanto o Atlântico Sul estiver com temperaturas desfavoráveis, a Paraíba poderá enfrentar uma redução severa nas precipitações, aumento na evaporação dos reservatórios e dificuldades na agricultura de sequeiro. Por outro lado, se as águas do Atlântico estiverem aquecidas, os efeitos negativos do El Niño podem ser mitigados, evitando um cenário de estiagem extrema.
A incerteza sobre a intensidade do fenômeno ainda é alta para o final do ano, mas a tendência de aquecimento é monitorada constantemente pelos órgãos meteorológicos. A Aesa reforça a importância de acompanhar as atualizações climáticas, uma vez que a confirmação de um El Niño forte exigirá estratégias específicas de gestão de recursos hídricos e planejamento para o próximo ciclo agrícola. O monitoramento atual indica que, embora o cenário ainda não esteja totalmente definido para o período de julho a dezembro, a preparação para um possível aumento do calor global já é uma realidade.
da Redação




