Motociclista que morreu após atropelar pedestre já havia sido condenado por morte da namorada

João Arthur Canuto Alves, de 34 anos, morreu nesta segunda-feira (14), após passar dois dias internado em estado grave por causa de um acidente de trânsito em Campina Grande, no Agreste da Paraíba. Ele havia sido condenado pela morte da namorada, Nayara Ellen Dias do Nascimento, de 17 anos, em 2015.

Leia mais: Motociclista perde controle da moto, atropela pedestre e morre no hospital em CG

O acidente mais recente ocorreu no último sábado (12), na Avenida Juscelino Kubitschek, no bairro do Cruzeiro. Segundo a Companhia de Polícia de Trânsito (CPTran), João Arthur pilotava em alta velocidade e perdeu o controle da motocicleta ao passar por um quebra-molas.

A moto subiu na calçada, atingiu uma mulher de 37 anos e depois bateu em um veículo estacionado. A pedestre sofreu uma fratura exposta em uma das pernas e continuava internada no Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande, em estado estável.

João Arthur também foi levado à unidade de saúde, desacordado e em estado grave. A morte foi confirmada nesta segunda-feira.

A Superintendência de Trânsito e Transportes Públicos (STTP) informou que a motocicleta era emprestada, estava com o emplacamento atrasado e que o condutor teria empinado o veículo antes da colisão. As circunstâncias do acidente serão investigadas.

Condenação pela morte da namorada
Nayara Ellen morreu em 7 de março de 2015, depois de perder o controle da motocicleta e bater na lateral de um ônibus, nas proximidades do Viaduto Elpídio de Almeida, no Centro de Campina Grande.

O caso inicialmente foi registrado como acidente de trânsito. Durante a investigação, porém, a Polícia Civil apontou que João Arthur teria perseguido a jovem de carro após uma discussão e jogado o veículo contra a motocicleta.

Segundo a apuração, os dois estavam em um bar com um casal de amigos horas antes da colisão. Após o desentendimento, Nayara teria deixado o local de moto, seguida por João Arthur.

A polícia também afirmou que ele teria ameaçado a namorada antes da perseguição. Áudios divulgados pelo próprio investigado foram usados na investigação. Em um dos arquivos, conforme a polícia, ele dizia que seguia Nayara de carro e que havia presenciado o acidente.

João Arthur negou ter provocado a morte e afirmou, em entrevista à TV Paraíba, que estava sendo injustiçado. A defesa também negou a acusação e declarou que não houve intenção de matar.

Processo e outras condenações
O Ministério Público da Paraíba denunciou João Arthur em setembro de 2015 por homicídio qualificado, fraude processual e uso de documento falso. Segundo o órgão, ele teria colidido conscientemente contra a motocicleta da namorada e contado com a ajuda do irmão e de um amigo para retirar os veículos do local.

A acusação também apontou que familiares da adolescente teriam sido ameaçados após a morte. Conforme o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), João Arthur foi condenado em 2017 a seis anos de prisão, em regime semiaberto, por homicídio simples.

Em 2018, ele voltou a se envolver em um acidente que deixou duas pessoas feridas. Segundo as investigações, apresentava sinais de embriaguez, não tinha Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e deixou o local sem prestar socorro.

Nesse processo, foi condenado a quatro anos de prisão, também em regime semiaberto, por lesão corporal culposa na direção de veículo. Posteriormente, recebeu liberdade condicional.

da Redação

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