
A Polícia Federal aponta indícios de que o senador Flávio Bolsonaro atuou na viabilização e na cobrança de aportes financeiros milionários para a produção do longa-metragem Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os repasses internacionais somaram mais de US$ 12 milhões e envolveram uma complexa rede de intermediários e fundos de investimento.
As informações constam nos documentos do inquérito do caso, que teve seu sigilo retirado pelo ministro do STF André Mendonça nesta sexta (11).
O contrato milionário e a rota transnacional
De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Federal, o acordo de financiamento previa um investimento total de US$ 24 milhões, divididos em 14 parcelas. O planejamento inicial estipulava bilheterias de até US$ 100 milhões, valor que superaria o recorde histórico do cinema nacional.
Para viabilizar os repasses diante de barreiras operacionais, os recursos transitaram pela empresa Entre Investimentos e Participações Ltda, ligada a Antônio Carlos Freixo Júnior. O destino final das remessas brasileiras foi o Havengate Development Fund LP, sediado nos Estados Unidos. O fundo encontrava-se inerte havia quase quatro anos antes de ser reativado para receber os aportes.
A atuação dos intermediários e os riscos de inadimplemento
O relatório policial aponta que Thiago Miranda Silva atuou como o principal interlocutor na marcação de reuniões e no repasse de cobranças entre o empresário Daniel Vorcaro e os irmãos Bolsonaro. Mensagens e áudios recuperados demonstram que o senador Flávio Bolsonaro cobrou diretamente o empresário e manifestou preocupação com o risco de calote perante o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.
As tratativas também envolveram menções ao deputado federal Mário Frias, apontado como idealizador do projeto cinematográfico, e a Eduardo Bolsonaro, citado em orientações sobre a gestão dos recursos no exterior. Fabiano Campos Zettel era o responsável por gerenciar e enviar os comprovantes das transferências internacionais.
Hipóteses criminais preliminares
O inquérito tramita sob suspeita de prática de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção ativa e passiva, além de organização criminosa. As cobranças intensificaram-se ao longo de 2025, culminando em contatos frequentes às vésperas da deflagração da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Daniel Vorcaro.
com Band.com.br