Em sabatina na Arapuan, Olímpio Rocha promete cancelar PPP da Cagepa, projeta palanque com Lula e rebate resistências na federação Rede-PSOL

Em sabatina concedida ao Sistema Arapuan de Comunicação nesta sexta-feira (24), o pré-candidato do PSOL ao Governo da Paraíba, Olímpio Rocha, apresentou as diretrizes de seu plano de gestão, defendeu a revisão de parcerias com o setor privado e afirmou ser o único representante do campo da esquerda na disputa estadual. O advogado reiterou que manterá a postulação ao Palácio da Redenção, rebatendo as articulações internas na federação PSOL-Rede, e projetou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará em seu palanque no estado.

Revisão de concessões, turismo e economia
Entre as principais definições de governo, Olímpio adiantou que pretende reverter o processo de concessão dos serviços de saneamento básico e água no estado.

“A parceria público-privada, que é uma privatização travestida de parceria no que toca à Cagepa, será cancelada. Essa é uma proposta nossa desde que ela foi formalizada”, declarou o pré-candidato.

Ao tratar sobre o Polo Turístico Cabo Branco e os investimentos imobiliários na Capital, o postulante defendeu a reavaliação dos contratos firmados pela gestão estadual e cobrou apoio aos micro e pequenos empresários do setor.

“As parcerias são importantes, mas desde que quem continue mandando seja o governador. Eu serei governador e quem vai mandar sou eu, Olímpio Rocha, sem interferência de quem quer que seja. Vamos estudar, eventualmente, em quais os termos dessa parceria. Nós queremos valorizar os pequenos. Os pequenos hotéis como é que vão ficar? O pequeno empreendedor que tem sua pousada, o pequeno empreendedor que tem o seu empreendimento na hotelaria. Como é que fica?”, questionou.

Olímpio argumentou que o modelo econômico vigente precisa focar na redução das disparidades sociais, rebatendo contudo a ideia de que adota uma postura hostil ao setor corporativo.

“A troco de que? A troco de manter os grandes ricos ainda mais ricos. A troco de fazer com que o dinheiro continue concentrado nas mãos desses grandes empresários que não trarão benefícios concretos para a população. Não se trata aqui de demonizar a iniciativa privada. Pelo contrário, eu sou de família de empresários, de industriais gráficos. Nós vamos continuar atuando de forma conjunta com o empresariado paraibano, com a classe produtiva paraibana, diminuindo impostos. Quem pode pagar mais vai pagar mais, quem pode pagar menos vai pagar menos, de modo que não haverá qualquer tipo de entrave no relacionamento entre nós do PSOL e a classe produtiva paraibana”, argumentou o pré-candidato.

Inclusão social, direitos humanos e segurança pública
O postulante direcionou críticas aos indicadores fiscais comumente comemorados pelo Poder Executivo, apontando contradição entre a arrecadação e os níveis de vulnerabilidade da população.

“Que adianta você ter bilhões em caixa, que adianta ter superávit fiscal, se esse dinheiro não é voltado para a realização de políticas públicas de inclusão social? Você tem mais de 600 mil famílias dependentes do Bolsa Família. Isso significa que metade da população depende direta ou indiretamente do programa. O governo precisa gerar emprego, renda e oportunidades. O governo da Paraíba tem falhado na inclusão social. Tem privilegiado os grandes de sempre. Em um governo do PSOL, vamos focar em quem mais precisa”, disse.

Ao detalhar as propostas para a segurança pública, o ex-presidente do Conselho Estadual dos Direitos Humanos defendeu a mudança do eixo de atuação policial para ações de inteligência e valorização salarial, rebatendo estigmas sobre a pauta dos direitos fundamentais.

“Os direitos humanos são os direitos de todos e de todas. São o direito à vida, ao trabalho, à educação, à saúde e à igualdade. Vamos ter um governo muito mais voltado à prevenção e à inteligência do que à repressão. Vamos valorizar os servidores da Polícia Civil, da Polícia Militar, da Polícia Penal e da Polícia Científica. Precisamos seguir o dinheiro e identificar quem são os grandes responsáveis por financiar o crime organizado. É preciso cortar o mal pela raiz. Não é possível continuar com uma política de segurança que prende apenas os pequenos envolvidos enquanto os grandes responsáveis permanecem lucrando com o crime”, defendeu Olímpio.

Disputa pelo palanque de Lula na Paraíba
No campo das alianças nacionais, Olímpio reafirmou sua vinculação com o projeto do Governo Federal e polemizou sobre a postura do pré-candidato à reeleição, Lucas Ribeiro (PP), no espectro progressista.

“Lucas não fala Lula, quem fala é Olímpio Rocha. Independentemente da posição formal da agremiação, só tem Olímpio de esquerda. Lula estará conosco. Se Lula vier à Paraíba, vai subir no palanque do PSOL. Eu estive com Charliton Machado, coordenador da campanha de Lula aqui na Paraíba. Eu estou formalmente como participante da campanha de Lula na Paraíba. Eu nunca vi Lucas falar a palavra Lula. Ele não fala. Quem tem feito a defesa do legado de Lula é o PSOL”, afirmou.

Em contraponto às declarações do pré-candidato, o coordenador da campanha presidencial do PT na Paraíba, Charliton Machado, informou  que o alinhamento oficial aprovado pela direção nacional do PT se dará no palanque de Lucas Ribeiro, embora a agenda do presidente possa eventualmente prever agendas institucionais com outras lideranças e movimentos sociais caso o chefe do Executivo visite o estado durante o primeiro turno.

Impasse na federação e projeção eleitoral
Sobre os entraves com a Rede Sustentabilidade, que sinalizou tendência de apoio à base governista, Olímpio ressaltou que a deliberação estadual do PSOL foi unânime e que buscará amparo no diretório nacional para manter a candidatura.

“Meu nome foi chancelado de forma unânime por todos os militantes do partido. De lá para cá, entramos em pré-campanha e recebemos o apoio da direção nacional do PSOL. A Rede vota em quem quiser. O que não pode é barrar a candidatura do PSOL, que é a única que defende o legado do presidente Lula. O que nos chega é que haveria pressões do staff do governo para retirar a nossa candidatura, por acreditarem que ela poderia influenciar o cenário eleitoral e os debates. Quem decide é a instância nacional. O PSOL tem maioria na federação nacional e, se houver necessidade de recurso, será ela quem dará a palavra final”, defendeu.

Confiante na consolidação de seu nome nas urnas, o pré-candidato previu um resultado inédito para a sigla no pleito deste ano no estado.

“Não chegou [a 1% no passado], mas vai chegar. É passado, foi-se. Agora vai chegar. Esse é o grande medo dessas figuras da direita e da extrema direita que querem nos barrar, porque sabem que no mínimo nós já vamos partir com 5% das intenções de voto, vamos dobrar, triplicar e vamos chegar ao segundo turno. Nós, com a candidatura de Olímpio Rocha pelo PSOL, vamos chegar a uma votação histórica que jamais tivemos na Paraíba. Vamos eleger nossos primeiros representantes na Assembleia Legislativa, na Câmara Federal, com Tati Valéria, Dinho Mendes, André Miranda e Souza Neto. Nós vamos fazer história nessas eleições na Paraíba. O PSOL vai bater todos os recordes, vamos eleger nossos primeiros representantes, porque só tem o Olímpio de esquerda. A Paraíba toda sabe disso”, concluiu.

da Redação

WhatsApp
Telegram
Twitter
Facebook

Mais lidas

1

Eleitores podem solicitar voto em trânsito a partir desta segunda-feira (20)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Digite o assunto de seu interesse:
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors