Xi parabeniza Trump pelos 250 anos dos EUA enquanto mídia estatal usa efeméride para criticar o país

O Ministério das Relações Exteriores da China anunciou que o líder do país, Xi Jinping, deu parabéns ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo aniversário de 250 anos da independência americana. Mas enquanto o chinês fez o gesto de cordialidade e diplomacia, a imprensa estatal do país asiático publicou um vídeo feito com inteligência artificial para criticar os americanos durante a comemoração.

Intitulado “Uma História em Chamas”, o vídeo publicado no site e nas redes sociais da Xinhua se passa em uma casa tipicamente americana e tem como protagonista o Tio Sam, um personagem histórico criado para ser uma personificação do Estado e do poder americano.

Ao assoprar as velas de um bolo de aniversário estragado, mísseis em miniatura que decoravam a sobremesa entram em ação e vão em direção a um mapa, atingindo o Oriente Médio.

Em seguida, o personagem deseja “Feliz aniversário”, e a mensagem “Apagando velas, explodindo países” toma conta da tela.

“Os Estados Unidos não estiveram em guerra por menos de duas décadas em meio aos seus 250 anos de história”, diz a frase que finaliza a produção de 43 segundos.

A crítica chinesa aos americanos ocorre em meio à guerra no Irã, que vive nova fase de ataques após o fim do último cessar-fogo. Trump afirmou na quarta-feira (8) que o Irã era o culpado pela queda do acordo devido aos ataques retaliatórios da teocracia contra alvos americanos em países do golfo Pérsico.

No mesmo dia, a porta-voz da chancelaria chinesa, Mao Ning, afirmou que o país asiático acompanha de perto os desdobramentos no Oriente Médio e que a retomada do conflito não serve a nenhum dos atores envolvidos.

“Apelamos aos EUA e ao Irã para que cumpram o memorando de entendimento firmado, resolvam as disputas por meio do diálogo e da negociação e evitem o recurso à força”, declarou.

Pequim tem utilizado vídeos de inteligência artificial para satirizar ou criticar os EUA. Em março, uma produção de estética semelhante foi publicado nos perfis oficiais da emissora estatal CCTV para debochar da atuação americana na guerra.

Na ocasião, o Tio Sam também foi o personagem escolhido para a produção, desta vez atribuindo aos americanos os bombardeios que causaram a destruição de uma escola de educação primária em Minab, no sul do Irã. Ao menos 175 pessoas foram mortas, a maioria crianças.

Em outra publicação, de janeiro deste ano, o perfil da Embaixada da China em Washington fez uma sátira utilizando a águia, outro símbolo americano.

As publicações, que refletem o posicionamento do regime chinês, contrastam com os pronunciamentos oficiais em que Pequim afirma exercer um papel imparcial na guerra no Irã e buscar estabilidade nas relações com os EUA.

Pequim e Washington vivem um momento de panos quentes nas relações diplomáticas para evitar novas escaladas da guerra comercial. Em maio, Trump fez uma visita de Estado à capital chinesa e retribuiu o convite a Xi.

O chanceler Wang Yi tem mantido comunicação periódica com o secretário de Estado, Marco Rubio, na qual ressaltam, segundo os relatos das Relações Exteriores chinesas, a importância da estabilidade e da confiança na relação bilateral.

Folhapress

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