
O resgate histórico do Casarão D’Ávila Lins, uma propriedade construída em 1916 no bairro do Tambiá, em João Pessoa, transformou-se em um fenômeno digital com mais de 13 milhões de visualizações nas redes sociais. A idealizadora do projeto é a arquiteta paisagista Beatriz Campelo, que documenta a reestruturação do imóvel na série documental “Comprei uma Casa Abandonada”. O espaço, que passou mais de cinco décadas em situação de abandono e deterioração, está sendo transformado na Casa Campelo de Cultura, unindo a preservação da memória arquitetônica da Capital à integração com a natureza.

“Quando entrei, vi 110 anos de história intactos embaixo da vegetação. Não era uma ruína — era um patrimônio esperando por alguém com coragem suficiente para ouvi-lo”, afirmou Beatriz Campelo ao descrever o impacto do primeiro contato com a estrutura.
A viabilização do projeto exigiu uma complexa etapa jurídica e comercial de regularização, comandada pelo advogado Marcos Souto Maior Filho. A frente legal envolveu a localização dos herdeiros legítimos, negociações de titularidade e a liberação de embargos administrativos que travavam intervenções no casarão de estilo eclético. “Acreditei nesse sonho antes de existir um projeto para mostrar. Meu trabalho foi encontrar os proprietários, resolver o que estava impedindo qualquer avanço e abrir o caminho legal para que a Bia pudesse, enfim, transformar aquelas ruínas em Casa Campelo de Cultura”, destacou o advogado.

O ponto alto da reforma arquitetônica consiste na manutenção de uma figueira centenária que cresceu no interior das ruínas. A árvore será integrada à edificação por meio de uma cobertura de vidro transparente, permitindo a contemplação da copa a partir da área interna. “Será a primeira casa do Brasil com uma árvore centenária integrada à arquitetura. O vidro não vai separar o visitante da natureza — vai apresentá-los um ao outro”, explicou a paisagista.
O engajamento em massa gerado pelos episódios — o primeiro e o terceiro registraram 3,5 milhões de acessos cada — joga luz sobre as discussões de preservação no Centro Histórico de João Pessoa, área tombada pelo Iphan. A proposta do novo centro cultural busca servir de modelo para reverter o cenário de abandono de outros prédios históricos da cidade. “A série não é sobre uma reforma. É sobre o que acontece quando alguém decide que o passado vale o presente”, resumiu a arquiteta.
da Redação