Justiça prorroga prisão de delegado e agentes civis investigados na Operação Perfídus

A prisão temporária do delegado Braz Morrone, dos investigadores Everton Aires e Eduardo Jorge, e de outros sete investigados na Operação Perfídus foi estendida por mais trinta dias pelo Poder Judiciário estadual. A determinação atende a um requerimento apresentado no começo da semana e tem como objetivo garantir a continuidade das investigações sobre um suposto esquema de desvio e comercialização de entorpecentes apreendidos.

O andamento dos trabalhos apontou que o período inicial das prisões foi insuficiente para concluir a análise de mídias digitais, computadores e aparelhos celulares recolhidos com o grupo. Na mesma decisão, o juízo responsável pelo caso negou o pedido de concessão de prisão domiciliar protocolado pela defesa do delegado, que alegou razões de saúde devido a um tratamento oncológico. O magistrado determinou, contudo, que o sistema prisional forneça todo o acompanhamento médico necessário ao detido.

A defesa de Braz Morrone contesta o posicionamento judicial e sustenta que a manutenção da medida restritiva configura constrangimento ilegal, anunciando que ingressará com um pedido de habeas corpus. O advogado argumenta que as suspeitas se baseiam em diálogos de terceiros, sem que houvesse uma individualização clara das condutas do delegado ou provas concretas de que ele possuía conhecimento dos desvios. Os pedidos de desbloqueio de contas bancárias dos agentes Everton Aires, conhecido como Bomba, e Eduardo Jorge, o Mão Branca, também terminaram indeferidos.

O inquérito policial apura uma movimentação financeira estimada em dez milhões de reais ao longo de quatro anos. A organização criminosa começou a ser desarticulada após relatos de um traficante sobre o suposto desfalque de carregamentos de drogas dentro das próprias estruturas policiais. A Polícia Civil tem agora o prazo de trinta dias para concluir as perícias técnicas remanescentes e apresentar o relatório final das investigações, enquanto os alvos permanecem recolhidos no Presídio Especial do Valentina, na Zona Sul de João Pessoa.

da Redação

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