
O grupo de WhatsApp criado para a viagem aos Estados Unidos dos presidentes de federações estaduais, que acompanharão os três primeiros jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, ficou frenético no início da tarde desta segunda-feira, 15, depois que veio à tona a notícia de que o presidente da CBF, Samir Xaud, teria usado dinheiro da entidade para bancar a viagem da esposa e de uma suposta amante aos Estados Unidos.
O jornalista Leo Dias publicou em seu site que Xaud estaria bancando, com dinheiro da CBF, a estada nos Estados Unidos de mulheres com quem ele teria relação.
Procurada, a CBF disse que “as despesas realizadas pela entidade são vinculadas exclusividade às atividades institucionais da CBF e despesas particulares dos dirigentes são arcadas pelos próprios. A atual gestão da CBF tem como pilares a transparência, a responsabilidade administrativa e o compromisso com a integridade”.
O grupo de cartolas tem como base Orlando, na Flórida, como revelou o Estadão, com passagens, hospedagens e diárias bancadas pela confederação, para um acompanhante. Eles viajam de voos fretados para as cidades dos jogos. Havia preocupação de como a informação repercutiria com a opinião pública, já que Xaud, filho de Zeca Xaud, que dirigiu por décadas a Federação de Roraima, chegou a seu posto apoiado pela maioria das federações.
Alguns presidentes de federações também são vices de Xaud: Ednailson Rozenha, de Amazonas, José Vanildo, do Rio Grande do Norte, Michele Ramalho, da Paraíba, Ricardo Gluck Paul, do Pará, e Rubens Angelotti, de Santa Catarina.
O Estadão ouviu de diferentes cartolas que Xaud pode estar sofrendo “fogo amigo” para enfraquecê-lo no cargo. Há quem veja que, se o Brasil conquistar a Copa do Mundo, ele poderia ganhar força, já que para a opinião pública seria o presidente da CBF a conquistar o hexa e a tirar o Brasil de 24 anos da fila. E poderia atrapalhar planos sucessórios do grupo que o sustenta.
O poder na CBF, hoje, é dividido entre os dirigentes de federações, da qual faz parte Xaud, e o grupo de Brasília, ligado ao IDP (Instituto Brasileiro de Ensino), instituição que tem como sócio o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. O ministro é apontado como figura de grande influência nos bastidores da confederação.
Seu filho, Francisco Mendes, diretor-geral do IDP e responsável pelo contrato da CBF Academy, já circula pelos bastidores do futebol como vice-presidente da federação do Mato Grosso e tem ganhado cada vez mais protagonismo dentro da CBF, como mostrou o Estadão.
Mendes tem a ideia de comandar a confederação no futuro. Recentemente, decidiu trocar uma atuação discreta de bastidor por uma ação mais explícita em eventos do mundo da bola. Procurado, ele não respondeu aos contatos da reportagem.
Foi ele que organizou a viagem de presidentes de clubes e federações à Europa em janeiro e o périplo desse mesmo grupo pelos Estados Unidos para assistir aos jogos da Seleção na Copa. Os dirigentes de clubes ficaram em Nova York e os das federações estão em Orlando.
Um dos vices, Gustavo Dias Henrique é outro personagem influente na confederação. O brasiliense faz articulação política para a entidade e costuma ser consultado pelo presidente Xaud. É comum vê-lo em treinos da Seleção Brasileira e até no palco, discursando em compromissos importantes da entidade, incluindo durante o megaevento que a CBF montou para a convocação da Seleção Brasileira, no Museu do Amanhã, no Rio.
A preocupação dentro da CBF é que qualquer polêmica que envolva a direção e seu presidente desestabilize o ambiente da Seleção Brasileira, que não começou bem a Copa ao empatar por 1×1 contra Marrocos. Uma fonte relatou à reportagem que a corrente que deseja a troca de comando da CBF vê a Copa do Mundo como oportunidade ideal para “criar o caos” internamente.
Há um isolamento no hotel em que o grupo está hospedado em Basking Ridge, em Nova Jersey, sem a presença de familiares, por exemplo. Mas alguns membros da cúpula da CBF têm acesso, o que é natural em um evento desse porte.
com Estadão.com.br