Startup da Paraíba cria IA para acelerar identificação de TEA e TDAH em escolas públicas

A baixa efetivação da lei federal que obriga a presença de psicólogos na rede básica de ensino motivou a criação de uma ferramenta tecnológica na Paraíba para tentar mitigar o problema. Cinco anos após a vigência da legislação, apenas 15,7% das escolas públicas brasileiras contam com esses profissionais, segundo dados do Censo Escolar do Inep. Diante desse cenário, a startup Zenith Tech, sediada em João Pessoa, desenvolveu a NeuroAtiva, uma plataforma digital voltada para auxiliar professores, psicólogos e gestores na identificação precoce de neurodivergências em estudantes.

O sistema é direcionado a adolescentes com idade entre 11 e 17 anos e atua por meio de três módulos que funcionam de maneira integrada. O processo tem início com um jogo focado no autoconhecimento emocional dos alunos, seguido por uma triagem supervisionada por psicólogos que utiliza instrumentos validados clinicamente. A etapa final consiste em um mapeamento de sinais que possam sugerir quadros de Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Deficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), dislexia ou sofrimento emocional.

Quando a plataforma detecta indicadores de neurodivergência, o sistema recomenda o encaminhamento do estudante para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do Sistema Único de Saúde (SUS). O programa, desenvolvido em cooperação técnica com o Laboratório de Engenharia de Sistemas e Robótica da Universidade Federal da Paraíba (Laser/UFPB) e o Núcleo de Tecnologias em Saúde da Universidade Estadual da Paraíba (Nutes/UEPB), também permite gerar avaliações adaptadas para diferentes perfis de aprendizagem.

O modelo de negócio tem como foco principal as gestões municipais, que concentram o maior volume de escolas e enfrentam uma carência crônica de profissionais especializados. A sócia-diretora da Zenith Tech, Melissa Leão, avalia que o avanço das exigências legais tornou a falta de assistência nas escolas uma situação insustentável para os municípios. “Quando uma prefeitura nos procura, ela não está buscando tecnologia, está buscando uma saída real para um problema que cresceu além da capacidade da rede. O que a plataforma oferece não é um atalho, é uma forma organizada de começar, de mapear a realidade de cada escola e de construir processos que antes simplesmente não existiam”, explica.

A ferramenta foi apresentada nacionalmente em maio deste ano na Bett Brasil, em São Paulo, considerada a maior feira de tecnologia e inovação voltada para a educação na América Latina. O sócio-diretor da empresa, Ricardo Leão, ressalta que a demanda por soluções desse tipo surgiu a partir do acompanhamento da rotina de instituições públicas e privadas. “Percebemos uma mesma dor em todas: a obrigação legal de incluir, de ter profissionais dedicados, sem ter estrutura para isso. A tecnologia entra para apoiar o professor e o psicólogo, nunca para substituí-los”, defende.

Os desenvolvedores reforçam que o sistema baseado em inteligência artificial não emite laudos ou diagnósticos médicos, limitando-se a apontar padrões de comportamento que demandam uma investigação profissional aprofundada por equipes pedagógicas e de psicologia. O funcionamento do programa atende aos critérios da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), sem realizar a coleta de dados biométricos dos usuários.

da Redação

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