
A aliança entre o Partido Liberal (PL) e o Partido Novo na Paraíba encaminha-se para um rompimento definitivo na composição da chapa majoritária para as eleições de 2026. Em entrevista à imprensa nesta sexta-feira (12), o ex-ministro da Saúde e pré-candidato ao Senado, Marcelo Queiroga (PL), antecipou que a postulação do ex-deputado Major Fábio (Novo) não deve ser integrada ao bloco de direita. A declaração gerou forte reação do Novo, disparando uma troca de cobranças públicas entre os pré-candidatos.
Queiroga minimizou o peso da federação informal e justificou o recuo apontando para a falta de dividendos estruturais e atritos ideológicos na esfera nacional. O ex-ministro pontuou que o pré-candidato do Novo à Presidência tem direcionado ataques ao senador Flávio Bolsonaro e mencionou o descontentamento com antigas falas do governador mineiro, Romeu Zema, sobre o Nordeste.
“A aliança com o Partido Novo é uma aliança conceitual, como tivemos em 2014. Mas é uma aliança que, do ponto de vista prático, não agrega nem tempo de televisão, nem fundo eleitoral. O Major Fábio é um companheiro, uma pessoa que respeitamos, mas de outro partido, do Partido Novo, cujo candidato à presidência tem atacado o senador Flavio Bolsonaro de maneira desarrazoada. Este é um ponto. Sem contar outras falas do ex-governador Zema em relação ao Nordeste”, avaliou Marcelo Queiroga.
A estratégia do PL indica uma tendência de lançar chapa pura ou simplificada para o Senado, deixando o eleitorado livre para escolher o segundo voto da bancada federal. “No fim do dia quem decide é o eleitor. O eleitor é que vai escolher a quem vai dar esse segundo voto. Ou se vai dar esse segundo voto também. Efraim Filho, como candidato majoritário, está cuidando dessas articulações. Nós temos até agosto para tomar essa decisão”, completou o ex-ministro.

Major Fábio reage e exige transparência dos aliados
A postura do PL foi fortemente rebatida por Major Fábio também nesta sexta-feira. O ex-deputado rechaçou as justificativas de incompatibilidade ideológica, relembrou sua trajetória histórica ao lado de Jair Bolsonaro e acusou Queiroga de inventar desculpas para tentar monopolizar o espaço da direita. Ele cobrou um posicionamento honesto e direto do senador Efraim Filho e de Queiroga sobre os motivos reais de sua exclusão.
“Eu sou de direita. Efraim me conhece, Bolsonaro me conhece. Eu caminhei com Bolsonaro lá em Campina Grande, em 2008, 2009 e 2010, ao lado de Flávio Bolsonaro e do próprio Bolsonaro. Eu votei no que Bolsonaro votou. Fui contra o governo do PT. Se houver dois votos, são o dele e o meu. Então, podem inventar outro motivo. Esse motivo, não. Marcelo Queiroga tem criado muitas desculpas e não tem dito a verdade. Eu acredito que preciso saber a verdade. Tenho cobrado isso dele, que possa falar exatamente qual o motivo. Eu preciso desse motivo para não mentir. Não quero mentir”, desabafou Major Fábio.
O político do Novo defendeu que abrir mão da segunda vaga ao Senado é um erro tático que pode beneficiar partidos progressistas na Paraíba, alertando que o eleitorado conservador precisará escolher dois nomes na urna.
“Quando você deixa o segundo voto livre, então qualquer um pode ocupar. Se Marcelo está disputando com um desses candidatos da esquerda, o que pode acontecer é que esses candidatos vençam Marcelo numa segunda opção de voto. Ele está tentando mostrar que só há espaço para ele na chapa. Mas a direita precisa disputar cerca de 7 milhões de votos. Se a gente deixar de disputar essa segunda parcela de votos, estaremos abrindo espaço para que um candidato da esquerda seja eleito”, alertou.
Major Fábio concluiu sinalizando que o racha precoce desagrega forças e citou o pastor Sérgio Queiroz como outro nome legítimo que não deveria ser visto como obstáculo pelas lideranças da oposição.
da Redação