
A Paraíba contabilizou 71 homicídios de mulheres em 2024, alcançando uma taxa de 3,4 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes do sexo feminino. O indicador, extraído do recém-divulgado Atlas da Violência 2026, iguala o estado exatamente à média registrada em todo o território nacional. Desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o relatório técnico aponta que, apesar do volume de casos, a Paraíba vem sustentando uma tendência de retração expressiva nas estatísticas de criminalidade letal contra o público feminino.
A redução na violência de gênero no estado se sobressai tanto no panorama imediato quanto na análise histórica de longo prazo. No confronto direto com o ano anterior, o índice de mortalidade de mulheres em solo paraibano recuou 10,1%. Já quando avaliado o intervalo consolidado de dez anos, a curva de declínio atinge 39,3%, um desempenho consideravelmente superior à média do país, que fechou o mesmo período de amostragem com uma diminuição de 27,7%. No cenário regional, a taxa paraibana de 3,4 também se manteve abaixo de vizinhos nordestinos como o Ceará, que lidera com 5,7, além de Pernambuco e Bahia, ambos com 5,4, embora ainda figure no dobro do patamar de São Paulo, referência nacional com 1,5.
O detalhamento do estudo, contudo, acende um alerta para a profunda desigualdade racial que molda a violência de gênero no estado, revelando que as mulheres negras concentram a ampla maioria das vítimas. Das mortes notificadas, 54 foram de mulheres negras, gerando uma taxa específica de 4 óbitos por 100 mil habitantes e um risco de morte 2,5 vezes maior do que o calculado para o grupo de mulheres não negras, que computou 12 ocorrências. O relatório mapeou ainda a letalidade em outras frações vulneráveis da sociedade paraibana, apontando um caso de homicídio na população indígena, nove assassinatos na faixa infanto-juvenil de zero a 14 anos e 49 mortes violentas entre cidadãos idosos, além de registrar no sistema de saúde 2,1 internações hospitalares de mulheres idosas decorrentes de agressões físicas a cada 100 mil habitantes.
da Redação