Padre se retrata publicamente após processo por danos morais movido pela família de Preta Gil

O Padre Danilo César, responsável pela paróquia de Areial, no Agreste da Paraíba, realizou uma retratação pública direcionada à família da cantora Preta Gil durante a celebração da missa no último domingo (10), data em que se comemorou o Dia das Mães. A manifestação pública do clérigo é fruto de um acordo firmado para encerrar um processo cível por danos morais que tramitava na 41ª Vara da Comarca do Rio de Janeiro.

Os termos da conciliação foram estabelecidos e assinados pelo sacerdote no dia 11 de abril, restando pendente a homologação formal por parte do Poder Judiciário. Cumprindo o que foi acordado entre as partes, o pedido de desculpas foi inserido na homilia da celebração religiosa do fim de semana, que contou com transmissão em tempo real pelos canais digitais oficiais da paróquia.

O litígio judicial teve origem em um episódio ocorrido há quase um ano, em 27 de julho de 2025. Naquela data, o pároco foi alvo de denúncias por intolerância religiosa devido a comentários tecidos durante uma pregação. Ao abordar o falecimento da artista, que foi vítima de um câncer colorretal, Danilo César associou o óbito às convicções espirituais da cantora, que mantinha vínculos com religiões de matriz afro-indígena.

Durante a transmissão da missa, o sacerdote fez a leitura oficial do texto de retratação:

“Eu, Danilo César de Sousa Bezerra, dirijo-me publicamente a Gilberto Passos Gil Moreira, Flora Nair Giordano Gil Moreira, Francisco Gadelha Gil Moreira Miller de Sá, Nara Aguiar Gil Moreira, Marília de Aguiar Gil Moreira, Maria Gadelha Gil Moreira, Ben Giordano Gil Moreira, Isabela Giordano Gil Moreira e José Giordano Gil Moreira, bem como à memória de Preta Maria Gadelha Gil Moreira, para apresentar minhas desculpas formais.

Reconheço que na homilia, proferida em 27 de julho de 2025, minhas palavras foram ofensivas, inadequadas e que, por minha imprudência, causaram dor aos familiares de Preta Gil, motivo pelo qual lamento e me retrato publicamente.

A liberdade religiosa é um dos pilares dos direitos humanos e, sem ela, o exercício de nossa própria catolicidade poderia nos ser privado ou restrito. Como consequência, todos temos que respeitar todas as pessoas que creem de forma diferente e manifestam religiosidade de forma diversa da nossa fé católica. Todas as pessoas merecem respeito.

Oriundo de sua naturalidade como criaturas de Deus, a cerca das religiões de matriz africana, importante que se reconheça a sua importância histórica e cultural como um dos elementos constitutivos da diversidade do povo brasileiro.

Por isso, peço sinceras desculpas pelas falas proferidas naquela ocasião e assumo firme propósito de não voltar a repetir isso“.

da Redação

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