
A Defesa Civil de João Pessoa interditou, nesta quinta-feira (14), os 11 elevadores de um condomínio no bairro Altiplano, onde um equipamento desabou do terceiro andar no dia anterior. A medida, confirmada pelo coordenador municipal do órgão, coronel Kelson Chaves, atende a uma solicitação do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Paraíba (Crea-PB) e abrange todas as torres do residencial. A decisão ocorre em um clima de forte tensão, marcado por um protesto de moradores que denunciam falhas estruturais recorrentes desde a entrega do empreendimento em 2023.
O desdobramento médico do acidente é grave. O Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena confirmou que a mulher de 36 anos, vítima da queda, ficou paraplégica em decorrência de uma lesão na coluna vertebral. Natural do Suriname e residente na Holanda, a paciente trabalha remotamente e escolheu João Pessoa para morar com os dois filhos, de 3 e 5 anos, que também estavam na cabine no momento do impacto. Enquanto as crianças já receberam alta, a mãe permanece internada aguardando uma cirurgia para estabilização das vértebras, com planos de transferência para uma unidade particular a pedido da família.
O histórico de problemas no condomínio revela uma longa batalha judicial. Antes mesmo do desabamento, a administração do residencial já movia uma ação contra a construtora por vícios estruturais, incluindo registros de incêndio em fosso e quedas abruptas em outros blocos. Um laudo técnico elaborado no início de 2026 apontou que a máquina de tração dos elevadores era incompatível com o peso da estrutura e que o sistema carecia de itens básicos de segurança, como iluminação de emergência e dispositivos de resgate. Em janeiro de 2025, a Justiça chegou a determinar a substituição total dos equipamentos, mas a construtora recorreu da decisão.
Em resposta ao ocorrido, a construtora afirmou, por meio de nota, que a responsabilidade pela manutenção dos sistemas de elevação pertence integralmente ao condomínio após o início do uso pelos moradores. Por outro lado, a administração do residencial reforçou que a prioridade atual é o suporte às vítimas, mas reiterou que as falhas são de origem construtiva e que a falta de solução definitiva por parte da empresa forçou a judicialização do caso. Enquanto as investigações avançam, as crianças seguem sob os cuidados de um vizinho e amigo da família no próprio condomínio.
da Redação