
O deputado federal paraibano Wilson Santiago (Republicanos) destinou R$ 203 mil de sua cota parlamentar para o aluguel de veículos de luxo junto a uma empresa pertencente a seus próprios familiares. A informação, revelada pelo colunista Tácio Lorran, do portal Metrópoles, aponta que a prática descumpre as normas internas da Câmara dos Deputados, o que pode resultar na obrigatoriedade de devolução integral dos valores aos cofres públicos.
A beneficiária dos pagamentos é a Construtora e Locadora JMX, empresa que tem como sócios Thiago e Thaísa Santiago, sobrinhos do parlamentar e filhos de seu falecido irmão, José Milton Santiago. De acordo com o colunista Tácio Lorran, os registros fiscais detalham a locação de veículos como um Tiggo 7 e um Jeep Commander, este último uma SUV de luxo com aluguel mensal de R$ 12 mil.
As regras da Câmara dos Deputados são explícitas ao vedar o reembolso de despesas com empresas cujos proprietários sejam parentes de parlamentares até o terceiro grau, categoria na qual se enquadram sobrinhos. Entre maio de 2024 e março de 2026, a Casa Legislativa efetuou o pagamento de 22 notas fiscais apresentadas pelo deputado, totalizando a cifra de R$ 203.450,00.
A apuração de Tácio Lorran destaca ainda que Thiago Santiago, sócio da locadora e sobrinho de Wilson, é conhecido na Paraíba como Thiago de Azulão. Ele exerce o cargo de vereador no município de Uiraúna, tendo sido eleito pelo mesmo partido do tio, o Republicanos. Alguns dos recibos que garantiram o reembolso parlamentar foram assinados pelo próprio vereador ou por sua filha.
Em resposta aos questionamentos do jornalista, a Câmara dos Deputados reforçou que o parlamentar detém total responsabilidade pela legalidade das notas fiscais apresentadas. A instituição informou que, caso sejam confirmadas irregularidades no uso da cota, verba indenizatória destinada ao custeio do mandato, a restituição dos valores é solicitada formalmente ao deputado.
A cota parlamentar deve ser utilizada exclusivamente para despesas típicas do exercício legislativo, como combustíveis e manutenção de escritórios, sempre respeitando os princípios éticos e normativos. O deputado Wilson Santiago foi procurado para comentar o caso, mas, até a publicação desta reportagem, não deu retorno.
da Redação com Metrópoles