
A escalada militar no Golfo Pérsico ganhou novos capítulos com ataques a embarcações no Estreito de Ormuz e denúncias de que o Irã teria iniciado a instalação de minas na região estratégica. O cenário elevou ainda mais a tensão entre Teerã e Washington e ampliou os riscos para o transporte global de petróleo.
Empresas de segurança marítima informaram que três embarcações foram atingidas por projéteis nesta quarta-feira (11) enquanto navegavam ou estavam ancoradas nas proximidades do estreito. Com os novos registros, chega a pelo menos 14 o número de navios atacados na região desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Entre os casos confirmados está o graneleiro Mayuree Naree, de bandeira tailandesa, atingido por dois projéteis enquanto transitava pelo estreito. O impacto provocou incêndio e danos à casa de máquinas. Segundo a operadora Precious Shipping, três tripulantes estão desaparecidos e podem ter ficado presos na área afetada. Outros 20 tripulantes foram evacuados com segurança para Omã.
A Guarda Revolucionária do Irã reivindicou a autoria desse ataque, de acordo com a agência semi-oficial iraniana Tasnim.
Outro incidente envolveu o navio porta-contêineres ONE Majesty, de bandeira japonesa, atingido por um projétil a cerca de 25 milhas náuticas a noroeste de Ras Al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos. O casco da embarcação sofreu danos leves acima da linha d’água, mas o navio segue operacional e sem registro de feridos.
Uma terceira embarcação, o graneleiro Star Gwyneth, de bandeira das Ilhas Marshall, também foi atingida por um projétil a cerca de 50 milhas a noroeste de Dubai. O impacto danificou o casco na área do porão, mas não houve vítimas.
Os episódios ocorrem em meio à paralisação quase total do tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz, rota considerada vital para o transporte global de energia. Cerca de 20% do petróleo mundial passa pela região, que conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico.
Desde o início da guerra, em sexta-feira (28), quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã, o fluxo de navios pela hidrovia foi drasticamente reduzido. A interrupção das exportações de petróleo pela região contribuiu para a alta nos preços globais da commodity, que atingiram níveis não vistos desde 2022.
Instalação de minas aumenta risco no estreito
O cenário de tensão aumentou após a divulgação de informações de inteligência indicando que o Irã começou a instalar minas marítimas no Estreito de Ormuz. Segundo reportagem da CNN, baseada em duas fontes ligadas à inteligência americana, algumas dezenas de explosivos teriam sido posicionadas nos últimos dias.
Embora a instalação ainda seja considerada limitada, autoridades afirmam que o Irã mantém entre 80% e 90% de suas embarcações capazes de lançar minas, o que permitiria ampliar rapidamente a minagem da hidrovia.
A Guarda Revolucionária Islâmica, que atua no controle da região junto à Marinha iraniana, possui capacidade de operar uma rede de pequenas embarcações, barcos carregados com explosivos e baterias de mísseis instaladas em terra ao longo do estreito.
Autoridades e analistas ouvidos pela imprensa internacional descrevem a travessia pelo canal como extremamente perigosa neste momento, comparando o trajeto a um “vale da morte” para embarcações comerciais.
Trump ameaça resposta militar
A possibilidade de minagem do estreito provocou reação imediata do governo dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump afirmou nessa terça-feira (10) que exigiu a retirada imediata dos explosivos caso a instalação seja confirmada.
Em publicação na rede social Truth Social, o republicano declarou que qualquer tentativa de bloquear o Estreito de Ormuz poderá resultar em uma resposta militar severa.
Trump afirmou que, se o Irã tiver colocado minas na região, “as consequências militares serão de uma magnitude sem precedentes”.
Segundo ele, os Estados Unidos estariam preparados para usar tecnologias e sistemas de mísseis semelhantes aos utilizados no combate ao narcotráfico para neutralizar embarcações ou navios envolvidos em tentativas de bloquear a hidrovia.
Apesar da escalada de tensão, autoridades americanas informaram que a Marinha dos Estados Unidos ainda não iniciou operações de escolta a navios comerciais na região. O próprio Trump declarou anteriormente que seu governo estuda a possibilidade de oferecer proteção militar às embarcações que precisarem atravessar o estreito.
Impacto global no transporte de petróleo
O Estreito de Ormuz é considerado o principal ponto de estrangulamento do comércio mundial de petróleo. A hidrovia é responsável por cerca de um quinto de todo o petróleo transportado globalmente.
A possibilidade de bloqueio total da passagem marítima preocupa mercados internacionais e empresas de navegação, já que qualquer interrupção prolongada pode provocar forte impacto no abastecimento global de energia.
Especialistas também alertam que o aumento da insegurança na região tende a elevar drasticamente os custos de seguro para transporte marítimo, ampliando a instabilidade no mercado internacional de petróleo.
da Redação