Oscar 2025: Brasil pode fazer história neste domingo (2) com “Ainda Estou Aqui”, indicado em três categorias

Neste domingo (2) de carnaval, a atenção dos brasileiros está dividida. Além da folia de Momo, boa parte dos olhares se voltará para a cerimônia de entrega do Oscar, que este ano, segundo especialistas, tem chances expressivas de conquistar uma estatueta com “Ainda Estou Aqui”. Por isso, a expectativa em todo País está alta, de cinéfilos ou não.

“Ainda Estou Aqui”, filme do diretor Walter Salles, concorre a três prêmios: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz, com Fernanda Torres, que interpreta a advogada e ativista de Direitos Humanos Eunice Paiva. O drama retrata a história real da família Paiva no início da década de 1970, durante a ditadura militar brasileira, quando Eunice, mãe de cinco filhos com o engenheiro civil e deputado Rubens Paiva, tenta descobrir o paradeiro do marido, após ele ser levado de casa por militares em janeiro de 1971.

Inicialmente exibido no Festival de Veneza em setembro do ano passado, “Ainda Estou Aqui” foi um sucesso desde o primeiro momento, vencendo o Leão de Ouro de Melhor Roteiro. Além disso, o elenco do filme foi aplaudido durante 10 minutos após a exibição.

Nas redes sociais e na imprensa, fãs apaixonados geraram um movimento orgânico para impulsionar a performance do filme tanto nas bilheterias quanto nas premiações. A partir daí, a campanha do filme, bancada pela distribuidora Sony Classics, fez “Ainda Estou Aqui” rodar festivais do mundo inteiro. Integrantes da produção permaneceram nos Estados Unidos por cerca de dois meses, participando de talk shows concedendo entrevistas e conversando com votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, para convencer mais pessoas a assistirem à produção.

Além de participações em prêmios internacionais importantes, como o BAFTA – cerimônia mais importante do Reino Unido –, o Goya – premiação mais importante da Espanha, que declarou o longa de Salles como melhor do ano –, Fernanda Torres ganhou o Globo de Ouro de Melhor Atriz em janeiro, solidificando a artista e o longa como candidatos em potencial para Prêmios da Academia, a entidade responsável pela entrega do Oscar neste domingo.

Palco do Oscar

Na 97ª edição do Oscar, o Brasil terá pela primeira vez a chance de vencer na categoria de Melhor Filme, considerado o principal prêmio da noite. Antes de “Ainda Estou Aqui”, nenhuma uma outra obra nacional foi nomeada nesta categoria. Após a divulgação dos indicados em 23 de janeiro, o longa bateu os R$ 20 milhões de bilheteria somente nos EUA. O total arrecadado mundialmente já ultrapassa os R$ 158 milhões.

O sucesso no Brasil é tão grande que o filme já se tornou a 14ª maior bilheteria de uma obra nacional e levou mais de 5 milhões de pessoas às salas de cinema, superando sucessos como o primeiro “Minha Mãe É Uma Peça” e filmes dos Trapalhões. Produzido pela RT Features e VideoFilmes em parceria com Globoplay, Mact Productions, Conspiração Filmes e Arte France Cinema, o orçamento do filme foi estimado em R$ 8 milhões.

Na categoria de Melhor Filme do Oscar 2025, o longa concorre com a comédia-dramática “Anora”, apontado por especialistas como o favorito à estatueta, os dramas-históricos “O Brutalista” e “O Reformatório Nickel”, a biografia do cantor Bob Dylan, “Um Completo Desconhecido”, o suspense “Conclave”, a ficção científica “Duna: Parte Dois”, os musicais “Emilia Pérez” e “Wicked”, e o terror “A Substância”.

Eunice marcou a carreira de Fernanda Torres

Para Melhor Filme Internacional, o Brasil disputa contra a Alemanha, com “A Semente do Fruto Sagrado”, a França, com “Emilia Pérez”, a Dinamarca, com “A Garota da Agulha”, e a Letônia, com “Flow”.

Já na categoria de Melhor Atriz, Fernanda Torres já estaria com a estatueta nas mãos, se a entrega dependesse de mobilizações de fãs. O defensores da artista a fizeram viralizar em redes sociais e realizaram mutirões de comentários e curtidas em publicações da Academia, fazendo com que ela disparasse como a queridinha da campanha deste ano entre o público.

A disputa real, entre os votantes da Academia, no entanto, traz nomes de peso: Cynthia Erivo, de “Wicked”, e Karla Sofía Gascón, de “Emilia Pérez”, correm por fora e provavelmente não vencerão, de acordo com a mídia especializada. Demi Moore, de “A Substância”, segue favorita, principalmente após levar prêmios considerados “termômetros” para o Oscar, como o Screen Actors Guild Awards (SAG). Já o nome de Mikey Madison, de “Anora”, ganhou mais força nas últimas semanas após a atriz levar o BAFTA.

Demi Moore em 'A Substância'

Publicações que cobrem de perto a corrida pelo Oscar seguem divididas para este prêmio: a revista norte-americana Variety divulgou na última quarta-feira (26), que aposta em Demi Moore. Já o jornal The New York Times aponta Fernanda Torres como provável ganhadora.

Vencedor de diversos prêmios importantes pré-Oscar, “Anora” tornou-se favorito na corrida de Melhor Filme. Além de levar a Palma de Ouro do Festival de Cannes do último ano, ganhou ainda o Critics Choice Awards e o prêmio do Sindicato de Diretores. Mesmo que “Ainda Estou Aqui” seja apontado por poucas publicações como favorito na categoria principal, o Brasil é a aposta para o prêmio de Filme Internacional pelo The New York Times, Variety e Entertainment Weekly.

Atrizes que podem competir com Fernanda Torres pelo Oscar

Caso ganhe como Melhor Filme Internacional, será a primeira estatueta do Brasil no Oscar. O País já teve indicações anteriores na categoria: “O Pagador de Promessas”, na premiação de 1963; “O Quatrilho”, em 1996; “O Que É Isso, Companheiro?”, em 1998; e “Central do Brasil”, em 1999, mas não chegou a vencer com nenhuma das obras.

Obras brasileiras foram indicadas em outras categorias de edições anteriores do Oscar, mas não tiveram sucesso em suas cerimônias. Entre as participações de destaque do País estão: “O Beijo da Mulher Aranha” fez o cineasta naturalizado brasileiro Héctor Babenco concorrer a Melhor Diretor em 1986; Fernanda Montenegro, mãe da protagonista de “Ainda Estou Aqui”, concorreu como melhor atriz por “Central do Brasil”, em 1999; “Cidade de Deus”, disputou os prêmios de Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição e Melhor Diretor em 2004; “O Menino e o Mundo” brigou pela estatueta de Melhor Animação em 2016; “Democracia em Vertigem” esteve entre os indicados a Melhor Documentário de Longa Metragem em 2020.

Breno Melo em cena do filme 'Orfeu Negro'.

Na edição de 1960, “Orfeu Negro” ganhou como Melhor Filme Estrangeiro (categoria hoje renomeada para Melhor Filme Internacional). Apesar de contar uma história passada no Rio de Janeiro e ser falado em português, a estatueta ficou com o País responsável pela submissão do filme à Academia, a França. No caso de “Ainda Estou Aqui”, caso a vitória ocorra nesta categoria, o Oscar será do Brasil.

com Terra

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