Após vitória de Lula na Paraíba, Nayana Pontes chama estado de “miserável” e manda eleitores “não pedirem ajuda”

Publicações atribuídas à advogada Nayana Pontes (PL), esposa do deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL) e ex-candidata a vice-governadora da Paraíba na chapa de Efraim Filho (PL), repercutiram nas redes sociais após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (25).
Entre os conteúdos compartilhados pelo perfil oficial da advogada está uma mensagem direcionada a eleitores de Lula, com a orientação para que não procurassem ajuda financeira ou profissional de pessoas que votaram no petista.
“Aviso a quem fez o L. Nesses próximos quatro anos, não me peça ajuda, não me peça emprego, não me peça para comprar rifa, não me peça dinheiro emprestado”, diz a publicação.

Em outra interação, Nayana respondeu a um internauta que questionava o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) na Paraíba. O usuário mencionou a expectativa de que o candidato alcançasse um milhão de votos no estado e escreveu: “Cadê um milhão de votos na Paraíba? Ficou na imaginação”.
A resposta atribuída à advogada foi: “Pois é, que pena para um estado miserável como o nosso”.

Depois que o comentário ganhou repercussão, Nayana voltou a se manifestar e afirmou que não havia se referido aos paraibanos, mas ao estado. “Não são os paraibanos. É o estado. É um estado muito pobre SIM. Dá um ‘gugu’”, escreveu, em uma referência irônica à forma que Lula mencionou o buscador Google no debate da TV Globo na última sexta-feira (23).

No segundo turno, Lula venceu em todos os 223 municípios da Paraíba. Com a totalização das urnas, o presidente reeleito recebeu 1.794.059 votos no estado, correspondentes a 67,46% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro somou 865.210 votos, ou 32,54%.
O candidato do PL terminou a disputa com 134.790 votos a menos do que a marca de um milhão citada pelo internauta.
Outro conteúdo compartilhado no perfil de Nayana foi um vídeo produzido por um terceiro que incentiva empresários a demitir funcionários identificados politicamente com o PT. A legislação trabalhista brasileira, no entanto, prevê proteção contra discriminação motivada pelas convicções políticas dos empregados.
Segundo o Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região, a demissão ou perseguição de trabalhadores por causa de suas opiniões políticas pode ser considerada discriminatória e gerar consequências judiciais, como indenização e reintegração, dependendo das circunstâncias de cada caso.
As publicações voltaram a colocar em evidência declarações feitas por Nayana durante a campanha eleitoral. Em agosto, durante um evento em João Pessoa para lançar a candidatura à reeleição de Cabo Gilberto, ela afirmou que o Brasil não suportava mais “essa raça de petistas”.
Dias depois, durante uma agenda política no interior do estado, a então candidata a vice-governadora adotou uma postura de aproximação com eleitores de Lula. Em entrevista ao jornalista Anderson Eliziário, Nayana afirmou que o voto no presidente para o Palácio do Planalto não impediria o eleitor de apoiar Efraim Filho na disputa pelo governo estadual.
“Uma coisa não anula a outra”, declarou na ocasião.
As duas manifestações foram registradas pela imprensa paraibana durante o período eleitoral.
Nayana e Efraim ficaram em segundo lugar no primeiro turno da disputa pelo Governo da Paraíba, realizado em 4 de outubro. A chapa recebeu 552.836 votos, equivalentes a 24,18% dos votos válidos. Lucas Ribeiro (PP) foi reeleito governador naquela votação.
da Redação




