Política

Com Janones internado, “Exército do Lula” fica parado a 5 dias das eleições

O canal de WhatsApp “Exército do Lula” está parado há mais de 12 horas, desde a internação de André Janones (Rede-MG) com arritmia cardíaca. Com a ausência do deputado, o canal de mobilização digital — o maior da campanha — está sem mensagens desde a madrugada desta segunda-feira (19).

Janones é o único administrador e responsável pelo disparo de mensagens no canal que já reúne mais de 5 milhões de apoiadores. Ele envia comandos de ações nas redes sociais, como pedidos de curtidas em publicações, sugestões de temas para pesquisas no Google para aumentar engajamentos, hashtags e trends.

Segundo o boletim médico emitido pelo hospital onde Janones está internado, a previsão é que ele tenha alta nas próximas 48 horas. Até o momento, não há outra pessoa designada para disparar os comandos no grupo.

Janones criou o canal de forma autônoma em abril deste ano e o turbinou no último mês em prol das eleições. Na época, o deputado criticava o que chamava abertamente a “campanha fofa” da esquerda e cobrava uma guerra digital “sem medo, sem pudor e sem remorso”.

A princípio, o canal não fazia parte das estratégias oficiais da campanha de Lula. Com a dimensão que o canal ganhou, porém, e sua derrubada por ordem do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a equipe jurídica o registrou oficialmente na Justiça Eleitoral.

O presidente da corte, Kassio Nunes Marques, suspendeu o canal pela primeira vez em 11 de outubro, alegando que ele servia para orientar seguidores a reproduzir conteúdos já considerados falsos pela Justiça. No mesmo dia, o corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva restabeleceu o canal até que o plenário do TSE analisasse o caso.

Na última terça-feira (13), Kassio voltou a suspender o canal, mas depois determinou a liberação em 48h, após a campanha registrá-lo. No dia seguinte, após a coligação do presidente Lula pedir que fosse suspenso pelo mesmo prazo o canal no WhatsApp “Tropa do Flávio”, ligado à campanha do rival, para equiparar o tratamento dado a ambos, o ministro autorizou a antecipação do retorno.

O “Exército do Lula” se tornou uma das principais ferramentas de mobilização digital da campanha do presidente. Em sua criação, o grupo servia para trocas de ideias, mas passou a concentrar missões para os integrantes.

Em 7 de outubro, o canal já ultrapassava 2 milhões de membros. Ao longo dos dias, Janones orientou novos membros a convidarem mais três pessoas para participar. Nesta segunda-feira, o canal já reúne 5,5 milhões de pessoas.

com Folha de S.Paulo

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