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Caatinga retirou 410 milhões de toneladas de CO₂ da atmosfera em 2022, aponta estudo

A Caatinga foi responsável por 38% da remoção de gases de efeito estufa registrada no Brasil em 2022. O dado consta em um levantamento do Observatório da Caatinga e Desertificação (OCA), da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), elaborado com base no inventário Clima TRACE.

Segundo o estudo, o bioma retirou 410 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera naquele ano. O volume foi superior ao registrado na Mata Atlântica e no Cerrado, que removeram 320 milhões e 240 milhões de toneladas do gás, respectivamente.

Para os pesquisadores do OCA, os resultados evidenciam a capacidade da Caatinga de participar do mercado de carbono, regulamentado no Brasil a partir de 2024.

A dinâmica do bioma contribui para a absorção do CO₂. Durante a fotossíntese, cerca de 60% do gás capturado pela vegetação é transformado em biomassa e permanece incorporado em folhas, galhos, troncos e raízes.

“Na Amazônia, esse percentual é de cerca de 30%, porque a respiração do ecossistema faz com que uma parcela maior do carbono absorvido retorne à atmosfera”, explicaram os pesquisadores.

O regime de chuvas também influencia a capacidade de remoção. Após longos períodos de estiagem, poucos dias de precipitação podem reativar a fotossíntese e fazer com que a Caatinga retire da atmosfera uma quantidade de CO₂ superior à que libera.

“Após meses de seca, poucos dias de chuva podem reativar a fotossíntese e fazer com que o bioma se torne um intenso sumidouro de CO₂, isto é, passe a retirar da atmosfera mais CO₂ do que libera. A ciência já reconhece que os ecossistemas semiáridos do mundo são responsáveis por boa parte da variação anual do ciclo global do carbono, ou seja, influenciam quanto carbono é absorvido e liberado pela vegetação terrestre de um ano para outro”, disseram.

Projetos ainda são limitados

Apesar do potencial apontado pelo inventário, a Caatinga ainda reúne poucos projetos destinados à geração de créditos de carbono. Conforme o OCA, uma das razões é que as principais metodologias utilizadas para calcular esses créditos foram desenvolvidas para regiões úmidas e não consideram adequadamente as particularidades do bioma.

Os pesquisadores esperam que o desenvolvimento de novas tecnologias ajude a mensurar com mais precisão a capacidade de remoção da Caatinga e amplie a presença da região no mercado de carbono.

“Para a Caatinga, o que falta não é uma regulamentação específica, e sim metodologias de medição reconhecidas que reflitam a dinâmica do bioma, e mecanismos para que comunidades e pequenos produtores consigam acessar a certificação. É nisso que o OCA tem trabalhado, inclusive com contribuições à consulta pública”, explicaram.

Funcionamento do mercado de carbono

O mercado de carbono é baseado na criação e na comercialização de créditos correspondentes a ações que reduzem ou retiram gases de efeito estufa da atmosfera. Para serem reconhecidos, os resultados precisam ser medidos, comprovados, analisados e certificados conforme regras estabelecidas.

Entre as iniciativas que podem gerar créditos estão a proteção de florestas contra o desmatamento, a recuperação de áreas degradadas, o armazenamento de carbono no solo por meio de técnicas agrícolas, a produção de energia renovável, o tratamento de resíduos e o aumento da eficiência em processos industriais.

Após a certificação, os créditos podem ser negociados. Os recursos obtidos ajudam a financiar as ações desenvolvidas e podem beneficiar comunidades, produtores e demais envolvidos nos projetos. Já os compradores podem utilizar os créditos para compensar parte das próprias emissões.

Governos também podem participar desse mercado, tanto na compra quanto na venda dos créditos. Segundo os pesquisadores, a receita pode ser direcionada, por exemplo, a investimentos em serviços públicos.

“A receita pode, sim, reforçar o orçamento (…) ela depende de preço, demanda e regras de certificação, que oscilam, e por isso não deve ser tratada como fonte estável para políticas continuadas. Serve como complemento”, concluíram.

da Redação

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