
O Ministério Público da Paraíba (MPPB) ajuizou uma ação civil contra os ex-prefeitos de Cabedelo Vitor Hugo e André Coutinho, além de outras três pessoas, por supostos atos de improbidade administrativa relacionados à contratação de pessoas indicadas por integrantes de uma organização criminosa.
A ação tem como base as duas fases da Operação En Passant, deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Segundo as investigações, uma facção criminosa teria exercido influência sobre a administração pública de Cabedelo.
De acordo com o MPPB, o prejuízo aos cofres públicos é estimado em, no mínimo, R$ 519.202,54.
Entre os demais citados está Flávio de Lima Monteiro, conhecido como “Fatoka”, apontado pelo órgão como chefe de uma facção criminosa com atuação na região de Cabedelo. Conforme a apuração, ele indicaria pessoas para serem contratadas pelo poder público em troca de apoio político.
O Ministério Público também afirma ter identificado um esquema de desvio de parte dos salários recebidos pelos contratados. A prática, conhecida como “rachadinha”, consistiria na destinação de valores a outras pessoas.
Participação atribuída aos ex-prefeitos
Segundo a ação, Vitor Hugo, que era prefeito de Cabedelo, teria utilizado a estrutura administrativa do município para autorizar ou avalizar a nomeação de pessoas indicadas pela organização criminosa. As contratações teriam ocorrido para cargos comissionados, por meio de empresas terceirizadas e em vínculos temporários por excepcional interesse público.
André Coutinho também é citado no processo. Conforme o MPPB, ele teria participado da autorização e do aval para nomeações de pessoas indicadas pelo grupo, tanto na Câmara Municipal, quando era vereador, quanto na Prefeitura, depois de assumir o cargo de prefeito.
Ainda segundo o órgão, elementos reunidos durante a investigação policial indicariam que Coutinho tinha conhecimento das nomeações e teria participado do suposto esquema de desvio de recursos públicos.
O que dizem os citados
Vitor Hugo informou que sua equipe jurídica aguarda a notificação formal para adotar as medidas cabíveis.
O ex-prefeito também teve o registro de candidatura a deputado indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) por possível influência de facções criminosas. Ele não recorreu da decisão e desistiu da candidatura.
André Coutinho não respondeu ao contato. O espaço permanece aberto para manifestação.
da Redação




