
A fronteira do Brasil com a Venezuela, no estado de Roraima, permanece tranquila, monitorada e aberta após os bombardeios realizados pelos Estados Unidos contra o país vizinho e a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. A informação foi confirmada neste sábado (3) pelo ministro da Defesa, José Múcio, que afirmou não haver registro de brasileiros feridos.
Segundo o ministro, o Brasil mantém cerca de 10 mil militares na região amazônica, sendo 2,3 mil em Roraima, e acompanha os acontecimentos em tempo real. “A fronteira está absolutamente tranquila. Temos contingente e equipamentos há algum tempo na região. Há muita informação desencontrada, e estamos monitorando tudo com cautela”, afirmou Múcio.
As declarações ocorreram após uma reunião de emergência no Itamaraty, em Brasília, da qual participou por videoconferência o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma segunda reunião foi marcada para as 17h. Também participaram do encontro a ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, a ministra interina da Casa Civil, Miriam Belchior, o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, além de representantes da Secretaria de Relações Institucionais e do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que Lula reiterou a condenação do Brasil à ação militar dos EUA e à captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Maria Laura da Rocha afirmou que o Brasil ainda não tem informações sobre o paradeiro do presidente venezuelano, mas garantiu que a comunidade brasileira no país está em segurança. “Não há relatos de brasileiros feridos. Os turistas estão conseguindo sair normalmente. A situação da comunidade brasileira é de normalidade”, disse.

O governo de Roraima também divulgou nota informando que acompanha atentamente os desdobramentos da crise e eventuais impactos na estabilidade regional. O estado reforçou o compromisso com a paz, a ordem pública e a segurança da população, destacando a cooperação histórica com Venezuela e Guiana e o contato permanente com órgãos federais. Segundo o governo estadual, os órgãos de segurança pública seguem com rotinas normais de atuação.
No município fronteiriço de Pacaraima, o prefeito Waldery D’ávila manifestou preocupação com os ataques em Caracas e informou que a prefeitura monitora a situação em conjunto com forças de segurança para garantir estabilidade na região.
Relatos pontuais indicam restrições temporárias na passagem. O servidor público federal Jean Oliveira, de 54 anos, contou que deixou a cidade venezuelana de Santa Elena de Uiarén por uma rota alternativa, pois a fronteira estava fechada no início da manhã. Segundo ele, após algum tempo, autoridades venezuelanas passaram a permitir apenas a saída de brasileiros. Apesar da apreensão inicial, descreveu um cenário de relativa normalidade na região.
Durante a madrugada, forças armadas dos EUA bombardearam alvos em Caracas e outras áreas da Venezuela. Após a operação, o presidente norte-americano Donald Trump anunciou a captura de Maduro. Brasil e Venezuela compartilham uma fronteira de mais de 2 mil quilômetros, e, segundo o Ministério da Defesa, a área segue aberta e sob vigilância.
A ofensiva marca um novo capítulo de intervenções diretas de Washington na América Latina. A última invasão dos EUA na região havia ocorrido em 1989, no Panamá, com a prisão do então presidente Manuel Noriega. Assim como naquele episódio, o governo americano acusa Maduro, sem apresentar provas públicas, de envolvimento com narcotráfico e com o suposto Cartel de los Soles, cuja existência é questionada por especialistas. Os EUA ofereciam recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão do líder venezuelano.
Para críticos, a ação tem motivação geopolítica, incluindo o objetivo de afastar a Venezuela de parceiros como China e Rússia e ampliar o controle sobre o petróleo do país, que detém as maiores reservas comprovadas do mundo. Enquanto isso, o governo brasileiro reforça o monitoramento da fronteira e a defesa de soluções diplomáticas para evitar a escalada do conflito na região.
da Redação




