Política

Bolsonaro diz que investigação é “historinha” e levanta suspeita contra Moraes: “tem algo esquisito”

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (26) que o país vive um “clima de intranquilidade” devido a “criatividade de alguns”, após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitar a denúncia por tentativa de golpe de Estado e organização criminosa. Bolsonaro chamou o modo do ministro Alexandre de Moraes de conduzir os inquéritos de “esquisito” e tentou desqualificar as denúncias contra ele, ao classificar a investigação como “historinha”.

“Vivemos um momento ainda de intranquilidade no Brasil por causa especial da criatividade de alguns. Ontem eu fui ao Supremo, a decisão foi na última hora, vocês se surpreenderam. Hoje resolvi não ir. Motivo? Eu sabia o que ia acontecer. Eu espero hoje botar um ponto final nisso aí. Parece que tem algo pessoal contra mim e a acusação é muito grave e são infundadas”, disse Bolsonaro.

O ex-presidente disse acreditar que exista “algo pontual” contra ele e negou as acusações que foram feitas pela PGR. Ao falar com a imprensa no Senado, de onde assistiu o segundo dia do julgamento da Primeira Turma, Bolsonaro prometeu “novidades” aos jornalistas, mas leu declarações antigas em que condenou atos violentos após a derrota nas eleições de 2022, como quando pediu para os caminhoneiros desobstruírem as estradas bloqueadas.

Bolsonaro afirmou ainda que na transição recebeu o escolhido para o Ministério da Defesa, José Múcio Monteiro, no Palácio da Alvorada e o atendeu “em tudo”.

“No dia seguinte ele foi atendido em tudo. Voltou depois a entrar em contato conosco e pediu que eu nomeasse os comandantes militares indicados pelo presidente eleito Lula da Silva e foi o que eu fiz.”

O ex-presidente lembrou que o próprio Múcio disse que o 8 de janeiro de 2023 não foi golpe em recente entrevista.

Golpe tem conspiração
Bolsonaro afirmou que antes de viajar aos Estados Unidos após as eleições de 2022 fez uma “live” onde deixou claro que nunca foi procurado para “fazer nada errado”.

“Até hoje eu fiz a minha parte dentro das quatro linhas. Não vamos achar que o mundo vai acabar dia 1º de janeiro. Vamos para o tudo ou nada? Não. Não tem tudo ou nada. Inteligência para mostrar que somos diferentes dos outros”, afirmou Bolsonaro lendo o que falou à época. Bolsonaro disse ainda que se quisesse dar um golpe não faria através de decreto para dar início ao processo. “Golpe não tem lei, não tem norma. Golpe tem conspiração”, disse.

Voto impresso
O ex-presidente disse ainda que os questionamentos às urnas eletrônicas começaram em 2014 no pleito que marcou a vitória de Dilma Rousseff sobre Aécio Neves e que não é o único a defender o voto impresso.

“Antes de mim, Flávio Dino foi claro dizendo que perdeu eleição por causa do voto eletrônico. Antes disso, Carlos Lupi do PDT disse que eleição sem voto impresso é fraude. E ele que entrou com uma ação contra mim no TSE”, declarou.

Bolsonaro mencionou ainda que a detecção de fraude nas eleições na Venezuela só foram possíveis por conta do voto impresso. “Na Venezuela só detectaram fraude no ano passado por causa do voto impresso. Foi a primeira vez que a Venezuela adotou o voto impresso”, disse.

Apesar da fala, as atas que o ditador Nicolás Maduro se recusa a apresentar são semelhantes ao boletim de urna que existe nas eleições brasileiras. O ex-presidente justificou a suposta insegurança das urnas como motivo para realizar a reunião com embaixadores que levaram o TSE a declará-lo inelegível.

“Algo esquisito”
Bolsonaro lançou suspeitas contra Moraes, relator do caso. “Tudo que acontece por parte do Alexandre de Moraes é secreto. Oito delações do Cid? Secreto”, disse, à imprensa. “A forma incisiva como ministro Alexandre de Moraes conduz tem algo esquisito”, afirmou.

O ex-presidente lançou suspeitas também contra o sistema eleitoral e acusou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de favorecer o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022. “O TSE influenciou, jogou pesado contra eu e a favor do candidato Lula. Eu não pude mostrar imagens do Lula defendendo o aborto, do Lula falando que o pobre coitado rouba celular para tomar cervejinha”, declarou.

“A Justiça Eleitoral foi pra cima do pessoal da direita e eu que sou golpista?”, disse. O ex-presidente questionou ainda que não é citado nominalmente em mais de 500 acordos de não persecução penal e que não passar a faixa e ir para os Estados Unidos “não é crime”.

“Historinha”
Ao fazer um pronunciamento à imprensa, Bolsonaro classificou como “historinha” as investigações sobre a tentativa de golpe de Estado, questionou as penas dadas pelo Supremo para os envolvidos no 8 de janeiro e projetou que terá uma condenação ainda maior.

“Por que 14 anos, 17 anos? Porque quer botar 30 em mim. Se eu tivesse devendo alguma coisa não estaria aqui. Fui para os Estados Unidos graças a Deus porque se estivesse aqui no 8 de janeiro estaria preso ou morto” afirmou.

O ex-presidente defendeu ainda a anistia para os condenados do 8 de janeiro. “Anistia é perdão, é passar borracha, é fazer o Brasil voltar a sua normalidade”, declarou.

Ao falar sobre os atos golpistas do 8 de janeiro, Bolsonaro disse que Lula poderia ter decretado GLO (garantia da lei e da ordem) e que não tinha o apoio dos militares se quisesse dar um suposto golpe. “Se o Lula assinasse GLO era problema dele. Eu ia dar golpe com os generais do Lula?”, disse.

O ex-presidente foi orientado pelos advogados a não responder perguntas dos repórteres. Enquanto falava sobre a denúncia, Bolsonaro disse que iria abrir para perguntas dos jornalistas, mas não respondeu às perguntas. “Não vai me tirar do sério” disse Bolsonaro a um repórter.

com Valor Econômico

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Bolsonaro diz que investigação é “historinha” e levanta suspeita contra Moraes: “tem algo esquisito”

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (26) que o país vive um “clima de intranquilidade” devido a “criatividade de alguns”, após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitar a denúncia por tentativa de golpe de Estado e organização criminosa. Bolsonaro chamou o modo do ministro Alexandre de Moraes de conduzir os inquéritos de “esquisito” e tentou desqualificar as denúncias contra ele, ao classificar a investigação como “historinha”.

“Vivemos um momento ainda de intranquilidade no Brasil por causa especial da criatividade de alguns. Ontem eu fui ao Supremo, a decisão foi na última hora, vocês se surpreenderam. Hoje resolvi não ir. Motivo? Eu sabia o que ia acontecer. Eu espero hoje botar um ponto final nisso aí. Parece que tem algo pessoal contra mim e a acusação é muito grave e são infundadas”, disse Bolsonaro.

O ex-presidente disse acreditar que exista “algo pontual” contra ele e negou as acusações que foram feitas pela PGR. Ao falar com a imprensa no Senado, de onde assistiu o segundo dia do julgamento da Primeira Turma, Bolsonaro prometeu “novidades” aos jornalistas, mas leu declarações antigas em que condenou atos violentos após a derrota nas eleições de 2022, como quando pediu para os caminhoneiros desobstruírem as estradas bloqueadas.

Bolsonaro afirmou ainda que na transição recebeu o escolhido para o Ministério da Defesa, José Múcio Monteiro, no Palácio da Alvorada e o atendeu “em tudo”.

“No dia seguinte ele foi atendido em tudo. Voltou depois a entrar em contato conosco e pediu que eu nomeasse os comandantes militares indicados pelo presidente eleito Lula da Silva e foi o que eu fiz.”

O ex-presidente lembrou que o próprio Múcio disse que o 8 de janeiro de 2023 não foi golpe em recente entrevista.

Golpe tem conspiração
Bolsonaro afirmou que antes de viajar aos Estados Unidos após as eleições de 2022 fez uma “live” onde deixou claro que nunca foi procurado para “fazer nada errado”.

“Até hoje eu fiz a minha parte dentro das quatro linhas. Não vamos achar que o mundo vai acabar dia 1º de janeiro. Vamos para o tudo ou nada? Não. Não tem tudo ou nada. Inteligência para mostrar que somos diferentes dos outros”, afirmou Bolsonaro lendo o que falou à época. Bolsonaro disse ainda que se quisesse dar um golpe não faria através de decreto para dar início ao processo. “Golpe não tem lei, não tem norma. Golpe tem conspiração”, disse.

Voto impresso
O ex-presidente disse ainda que os questionamentos às urnas eletrônicas começaram em 2014 no pleito que marcou a vitória de Dilma Rousseff sobre Aécio Neves e que não é o único a defender o voto impresso.

“Antes de mim, Flávio Dino foi claro dizendo que perdeu eleição por causa do voto eletrônico. Antes disso, Carlos Lupi do PDT disse que eleição sem voto impresso é fraude. E ele que entrou com uma ação contra mim no TSE”, declarou.

Bolsonaro mencionou ainda que a detecção de fraude nas eleições na Venezuela só foram possíveis por conta do voto impresso. “Na Venezuela só detectaram fraude no ano passado por causa do voto impresso. Foi a primeira vez que a Venezuela adotou o voto impresso”, disse.

Apesar da fala, as atas que o ditador Nicolás Maduro se recusa a apresentar são semelhantes ao boletim de urna que existe nas eleições brasileiras. O ex-presidente justificou a suposta insegurança das urnas como motivo para realizar a reunião com embaixadores que levaram o TSE a declará-lo inelegível.

“Algo esquisito”
Bolsonaro lançou suspeitas contra Moraes, relator do caso. “Tudo que acontece por parte do Alexandre de Moraes é secreto. Oito delações do Cid? Secreto”, disse, à imprensa. “A forma incisiva como ministro Alexandre de Moraes conduz tem algo esquisito”, afirmou.

O ex-presidente lançou suspeitas também contra o sistema eleitoral e acusou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de favorecer o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022. “O TSE influenciou, jogou pesado contra eu e a favor do candidato Lula. Eu não pude mostrar imagens do Lula defendendo o aborto, do Lula falando que o pobre coitado rouba celular para tomar cervejinha”, declarou.

“A Justiça Eleitoral foi pra cima do pessoal da direita e eu que sou golpista?”, disse. O ex-presidente questionou ainda que não é citado nominalmente em mais de 500 acordos de não persecução penal e que não passar a faixa e ir para os Estados Unidos “não é crime”.

“Historinha”
Ao fazer um pronunciamento à imprensa, Bolsonaro classificou como “historinha” as investigações sobre a tentativa de golpe de Estado, questionou as penas dadas pelo Supremo para os envolvidos no 8 de janeiro e projetou que terá uma condenação ainda maior.

“Por que 14 anos, 17 anos? Porque quer botar 30 em mim. Se eu tivesse devendo alguma coisa não estaria aqui. Fui para os Estados Unidos graças a Deus porque se estivesse aqui no 8 de janeiro estaria preso ou morto” afirmou.

O ex-presidente defendeu ainda a anistia para os condenados do 8 de janeiro. “Anistia é perdão, é passar borracha, é fazer o Brasil voltar a sua normalidade”, declarou.

Ao falar sobre os atos golpistas do 8 de janeiro, Bolsonaro disse que Lula poderia ter decretado GLO (garantia da lei e da ordem) e que não tinha o apoio dos militares se quisesse dar um suposto golpe. “Se o Lula assinasse GLO era problema dele. Eu ia dar golpe com os generais do Lula?”, disse.

O ex-presidente foi orientado pelos advogados a não responder perguntas dos repórteres. Enquanto falava sobre a denúncia, Bolsonaro disse que iria abrir para perguntas dos jornalistas, mas não respondeu às perguntas. “Não vai me tirar do sério” disse Bolsonaro a um repórter.

com Valor Econômico

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