
O secretário de Segurança Urbana de João Pessoa, João Almeida, adotou um tom contundente ao avaliar a influência de facções criminosas na capital e admitiu abertamente que existem territórios periféricos sob o controle do crime organizado.
“A gente às vezes tem um certo cuidado, na linguagem jornalística, dizer de certa forma dominada pelo tráfico, eu digo diferente, e sou mais contundente: são realmente dominados pelo tráfico”, disse o gestor.
Para conter o avanço dos grupos armados e restabelecer o direito de ir e vir dos moradores, a Secretaria inseriu seu efetivo em uma força-tarefa permanente focada na desobstrução de vias públicas nas periferias. A ofensiva é direcionada para a destruição de barreiras físicas instaladas por traficantes para bloquear o acesso de viaturas policiais e serviços públicos básicos. João Almeida reconheceu que a reincidência dos criminosos em fechar as ruas exige persistência do município, comparando a dinâmica a um combate exaustivo.
“O poder público não pode cansar, quem tem que cansar é a bandidagem. Enquanto poder público, a gente não cansa. Às vezes, a sensação de enxugar gelo. É um trabalho cansado, repetitivo, mas vamos ganhar pelo cansaço”, enfatizou.
A estratégia institucional de enfrentamento ao crime organizado também se apoia na modernização tecnológica, com a expansão da vigilância eletrônica na Capital para mapear a movimentação interna dos grupos criminosos. O plano municipal de monitoramento prevê o funcionamento de 2 mil câmeras de vídeo interligadas, cobrindo todas as zonas geográficas de João Pessoa e servindo como suporte logístico para as operações de campo.
O secretário garantiu que a programação de intervenções nos bairros sitiados será contínua e focada em asfixiar os pontos de controle das facções. “Construímos um projeto colocando em realidade para aqui em João Pessoa se viva de barricada zero. Semana passada, tiramos algumas barricadas. Próxima semana vai ter de novo”, informou.
da Redação