
Uma ação estratégica da Polícia Civil da Paraíba resultou no desmonte de um ponto de vigilância tecnológica operado pelo crime organizado na Zona Sul de João Pessoa. Agentes da 9ª Delegacia Distrital identificaram e desbancaram uma câmera de monitoramento clandestina instalada em um poste de iluminação pública no bairro de Mangabeira IV nesta segunda-feira (18). A retirada do dispositivo de vídeo contou com o suporte técnico de técnicos da concessionária de energia elétrica.
A infraestrutura oculta foi descoberta após o recebimento de relatos anônimos encaminhados por moradores da localidade, que suspeitaram da instalação repentina do equipamento. O delegado Lucas Sá explicou que a equipe de investigação realizou uma consulta imediata junto à Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob) e a outros departamentos estaduais para checar a procedência do aparelho, confirmando que a tecnologia não pertencia a nenhum órgão oficial de segurança do Estado e que sua finalidade exclusiva era mapear a circulação de viaturas na área.
O ponto escolhido pelos criminosos para fixar o dispositivo cobria uma rota estratégica de acesso a uma comunidade situada nas proximidades de uma estação elevatória de esgotos da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa). Devido à altura do poste e ao posicionamento da lente, o equipamento conseguia capturar imagens nítidas de trechos de vias movimentadas do setor, como as ruas Missionária Tamar Nunes e Mozart Armstrong, servindo como uma espécie de alerta antecipado para os pontos de venda de entorpecentes.
O aparelho apreendido foi recolhido pelos investigadores e encaminhado para a sede da Unidade de Inteligência Policial (Unintepol). Peritos de tecnologia da informação vão submeter os componentes eletrônicos a análises de dados e varreduras digitais para tentar rastrear os IPs de conexão, os servidores de armazenamento das filmagens e identificar quais lideranças locais do tráfico de drogas controlavam o recebimento dos sinais de transmissão.
A desarticulação dessa rede de vigilância paralela ocorre poucos dias após o programa Fantástico veicular uma reportagem de repercussão nacional detalhando o uso sistemático de tecnologia por facções na Região Metropolitana. Naquela ocasião, as forças de segurança desativaram cerca de 30 câmeras escondidas, apelidadas de “besouros”, instaladas em postes de comunidades do município de Cabedelo, cuja central de controle em tempo real havia sido estruturada por lideranças do Comando Vermelho direto do estado do Rio de Janeiro.
da Redação
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