
A investigação que levou à prisão do influenciador paraibano Hytalo Santos e do marido, Israel Vicente, ganhou novos capítulos. Ex-funcionários do casal relataram ao Ministério Público do Trabalho da Paraíba (MPT-PB) e à Polícia Civil episódios de controle abusivo, festas regadas a bebida alcoólica e exploração da imagem de adolescentes em vídeos publicados nas redes sociais. O casal foi preso em São Paulo, na sexta-feira (15), acusado de tráfico de pessoas e exploração sexual de menores.
Os depoimentos, colhidos sob anonimato e veiculados nesse domingo (18) pelo programa Fantástico da TV Globo, apontam que os jovens que viviam na mansão de Hytalo em João Pessoa eram tratados como propriedade do influenciador. Cabia a ele decidir horários de alimentação, uso de celular e até o momento de dormir. Em alguns casos, adolescentes eram filmados saindo para a escola, mas, segundo os relatos, não chegavam a frequentar as aulas. “Se precisasse de um deles para gravação, simplesmente iam buscar a criança”, contou um ex-funcionário.
Além das restrições, o ambiente descrito era de abandono. Uma ex-colaboradora relatou que a casa era suja e que os jovens dependiam da autorização de Hytalo para se alimentar. Outro depoente mencionou festas frequentes com consumo liberado de bebidas alcoólicas, sem qualquer limite de idade.
A investigação revela que a residência funcionava como um verdadeiro reality show. Os adolescentes produziam vídeos diariamente, muitas vezes com coreografias sensuais, conteúdos que garantiam retorno financeiro por meio de publicidade, rifas e sorteios promovidos nas redes sociais do influenciador. Em um dos casos mais graves, uma adolescente engravidou durante o período em que morava na casa e perdeu o bebê.
As faltas escolares eram constantes, chegando a períodos de até 50 dias fora da sala de aula. Em alguns casos, os jovens eram levados a viagens para gravações em outras cidades.
Outro ponto que chamou atenção do MPT foi a relação com as famílias. Pais dos adolescentes recebiam mensalmente valores entre R$ 2 mil e R$ 3 mil para permitir que os filhos morassem com Hytalo. A maioria deles vive em Cajazeiras, no Sertão paraibano. Apesar disso, conselheiros tutelares confirmaram que não receberam denúncias formais.
Hytalo e Israel foram presos com quatro celulares cada. Para o delegado Fernando Davi, havia indícios de tentativa de fuga. A defesa nega e afirma que o casal estava em São Paulo apenas a passeio. Os advogados classificam a prisão como “exagerada” e rejeitam as acusações de exploração sexual. “A ideia de exploração pintada transborda da realidade”, disse a defesa.
Com a repercussão nacional do caso, as contas do influenciador foram bloqueadas. YouTube, TikTok e Instagram divulgaram posicionamentos oficiais garantindo que já haviam desmonetizado os conteúdos e que reforçam a política de proteção a menores. O YouTube informou que encerrou definitivamente os canais de Hytalo e Israel. O TikTok afirmou que já havia banido perfis do influenciador em 2023 e 2025. O Instagram, que pertence à Meta, destacou o uso de tecnologia para identificar comportamentos suspeitos e evitar interações indevidas.
O MPT e o Ministério Público da Paraíba sustentam que há provas suficientes para incriminar o casal por tráfico de pessoas e exploração de menores. Os adolescentes foram devolvidos às famílias após a prisão.
Natural de Cajazeiras, Hytalo começou dando aulas de dança em praças públicas e ganhou popularidade ao produzir vídeos com adolescentes. Com a fama, passou a ostentar carros de luxo, mansões e grandes quantias em espécie, segundo relatos de ex-funcionários. Agora, sua trajetória é investigada como um caso de possível exploração disfarçada de entretenimento digital.
da Redação